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Hormonioterapia

1. O que é hormonioterapia?

Em situações normais, alguns hormônios podem estimular o crescimento de determinadas células. Por exemplo, os hormônios femininos (estrógenos) são essenciais para o desenvolvimento do tecido mamário na mulher, enquanto os hormônios masculinos (testosterona) estimulam a desenvolvimento da próstata no homem.

Contudo, em alguns casos, o desenvolvimento e a progressão do câncer podem ser estimulados pela ação de determinados hormônios. Isso ocorre graças a alterações adquiridas pelas células cancerosas. Assim, existem casos de câncer de mama em que a doença pode ser estimulada pelos hormônios femininos. Da mesma forma, a maioria dos casos de câncer de próstata é dependente do estímulo dos hormônios masculinos.

Dessa forma, a hormonioterapia é uma forma de tratamento sistêmico que leva à diminuição do nível de hormônios sexuais, ou que bloqueia a ação desses hormônios nas células tumorais, com o objetivo de tratar os tumores malignos dependentes do estímulo hormonal.

Na imensa maioria dos casos, a hormonioterapia é utilizada para o tratamento do câncer de próstata ou do câncer de mama. A hormonioterapia tem sido usada de forma isolada, ou em combinação com as demais formas de tratamento para o câncer.

2. O fato de eu ter câncer de próstata significa que preciso receber hormonioterapia?

Não. Além da hormonioterapia, o tratamento do câncer de próstata pode incluir a cirurgia, a radioterapia e, menos frequentemente, a quimioterapia. A hormonioterapia pode ser utilizada de forma isolada ou em combinação com essas formas de tratamento. A decisão sobre a utilização da hormonioterapia depende de diversos fatores, entre os quais a extensão da doença, o nível sanguíneo de PSA, as características das células tumorais na análise microscópica, e as demais modalidades de tratamento a serem utilizadas para o caso em questão.

3. Como é feita a hormonioterapia para o câncer de próstata?

A hormonioterapia para o câncer de próstata pode ser feita de duas formas:

• Cirúrgica: através da remoção dos testículos.

• Medicamentosa: através da administração de medicamentos que inibam a produção ou impeçam a ação dos hormônios sexuais masculinos. Esses medicamentos podem ser administrados por via oral e por injeções intramusculares ou subcutâneas. Em geral, os hormonioterápicos orais são administrados diariamente. Já os hormonioterápicos injetáveis são habitualmente administrados mensal ou trimestralmente. Ocasionalmente, podese ainda fazer a combinação entre um hormonioterápico injetável e outro oral.

4. Quanto tempo dura a hormonioterapia para o câncer de próstata?

A duração do tratamento com hormonioterapia é variável. Quando a hormonioterapia é utilizada antes da radioterapia ou da cirurgia (neoadjuvante), o tratamento costuma ter duração de 2 a 6 meses. Quando a hormonioterapia é utilizada após a radioterapia ou a cirurgia (adjuvante), a duração do tratamento geralmente varia de 6 meses a 3 anos, embora alguns casos possam ser tratados por tempo indefinido. Nos casos em que a hormonioterapia é utilizada de forma isolada, o tratamento costuma ser administrado por tempo indeterminado, até que haja progressão da doença ou intolerância à terapia.

5. Quais são os efeitos colaterais da hormonioterapia para o câncer de próstata?

Os efeitos colaterais da hormonioterapia para o câncer de próstata podem variar de pessoa para pessoa. Enquanto alguns pacientes podem não apresentar nenhum efeito colateral, outros podem apresentar um ou mais dos seguintes efeitos colaterais:

• Sensação de calor que sobe à face (fogachos), podendo ser acompanhada de sudorese;
• Diminuição do desejo sexual (libido);
• Impotência sexual;
• Aumento das mamas (ginecomastia), acompanhada ou não de dor;
• Ganho de peso;
• Diminuição da densidade óssea (osteoporose);
• Elevação do colesterol;
• Fraqueza muscular.

Os efeitos colaterais podem ter intensidade variável.

6. O fato de eu ter câncer de mama significa que preciso receber hormonioterapia?

Não. Nem todos os tumores de mama são estimulados pelos hormônios sexuais femininos. Por isso, é muito importante realizar a pesquisa para a presença dos receptores hormonais (estrógeno e progesterona). Nos casos em que os receptores hormonais estão presentes, a hormonioterapia pode estar indicada. Além da hormonioterapia, o tratamento do câncer de mama pode incluir a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia e as drogas alvo moleculares. A hormonioterapia pode ser utilizada de forma isolada ou em combinação com essas formas de tratamento.

7. Como é feita a hormonioterapia para o câncer de mama?

A hormonioterapia pode ser feita de três formas:

• Medicamentosa: através da administração de medicamentos que inibam a produção ou impeçam a ação dos hormônios sexuais femininos. Esses medicamentos podem ser administrados por via oral e por injeções subcutâneas ou intramusculares. Em geral, os hormonioterápicos orais são administrados diariamente. Já os hormonioterápicos injetáveis são habitualmente administrados mensal ou trimestralmente. Ocasionalmente, pode-se ainda fazer a combinação entre um hormonioterápico injetável e outro oral em mulheres que não estejam na menopausa. A hormonioterapia medicamentosa é a forma mais frequentemente utilizada para o câncer de mama.

• Cirúrgica: através da remoção cirúrgica dos ovários. Esse método é utilizado mais raramente.

• Radioterápica: através da irradiação dos ovários. Atualmente, essa forma de hormonioterapia vem sendo muito pouco utilizada.

8. Quanto tempo dura a hormonioterapia para o câncer de mama?

A duração do tratamento com hormonioterapia é variável. Quando a hormonioterapia é utilizada antes da cirurgia (neo-adjuvante), o tratamento costuma ter duração em torno de 4 meses. Quando a hormonioterapia é utilizada após o tratamento inicial (adjuvante), o tratamento geralmente se estendo por 5 anos. Nos casos de câncer de mama com metástases, a duração do tratamento costuma ser por tempo indeterminado, até que haja progressão da doença ou intolerância à terapia.

9. Quanto tempo dura a hormonioterapia para o câncer de mama?

Os efeitos colaterais do tratamento podem variar de pessoa para pessoa. Enquanto algumas pacientes podem não apresentar nenhum efeito colateral, outras podem apresentar um ou mais dos seguintes efeitos colaterais:

• Sensação de calor que sobe à face (fogachos), podendo ser acompanhada de sudorese;
• Diminuição do desejo sexual (libido);
• Alteração no ciclo menstrual (caso a paciente não esteja na menopausa ainda);
• Secura, corrimento e/ou sangramento vaginal;
• Alterações de humor;
• Dor nas articulações;
• Diminuição da densidade óssea (osteoporose).

Os efeitos colaterais podem ter intensidade variável

Quimioterapia

1. O que é e como age a quimioterapia?

Quimioterapia é um tipo de tratamento sistêmico, que utiliza medicamentos que impedem a divisão celular, levando à destruição das células tumorais. Os diversos quimioterápicos têm diferentes mecanismos de ação, permitindo sua classificação entre os seguintes principais grupos:

Inibidores de microtúbulos: são quimioterápicos que interferem com as estruturas responsáveis pela divisão do material genético, durante a divisão celular. Incluem grupos de drogas como os taxanos e os alcalóides da vinca. Os taxanos, como o paclitaxel e o docetaxel, têm sido usados no tratamento do câncer de cabeça e pescoço, pulmão, mama, estômago, ovário e próstata, entre outros. Os alcalóides da vinca, como a vincristina, a vimblastina e a vinorelbina, têm sido usados no tratamento dos cânceres de pulmão e mama, além dos linfomas.

Agente alquilantes: são agentes que se ligam ao DNA, ou promovem a ligação de substâncias tóxicas ao DNA, levando à morte celular por dano ao material genético. Incluem o grupo de drogas formado pelas platinas (carboplatina, cisplatina e oxaliplatina). As platinas são usadas no tratamento da maioria das neoplasias malignas, incluindo cânceres de cabeça e pescoço, pulmão, trato gastrintestinal e aparelho ginecológico. Os agentes alquilantes incluem ainda muitos outros quimioterápicos como a ciclofosfamida, a ifosfamida e a temozolomida, usadas no tratamento de diversos tumores malignos, incluindo o câncer de mama, os tumores cerebrais, as leucemias e os linfomas.

Anti-metabólitos: são análogos estruturais de substâncias que formam o DNA. Assim, eles impedem a incorporação desses elementos ao DNA, bloqueando a duplicação do material genético e, conseqüentemente, a divisão da célula. Incluem análogos de purina (fludarabina, mercaptopurina e cladribina) que são usados no tratamento de neoplasias hematológicas. Incluem também os análogos de pirimidina (gencitabina, citarabina e 5-fluorouracil), que são usados para o tratamento da maioria dos tumores sólidos e das neoplasias hematológicas. Finalmente, os anti-metabólitos incluem os análogos do ácido fólico (metotrexato, raltitrexede e pemetrexede), usados para o tratamento do câncer de pulmão, mama e cólon, além das neoplasias hematológicas.

Outros classes: incluem drogas como o etoposídeo, a doxorrubicina, o irinotecano e topotecano, que bloqueiam a ação de uma substância responsável pela manutenção da estrutura do DNA. Assim, causam a morte celular por dano ao material genético. São usados para o tratamento do câncer do cérebro, mama, cólon e sarcomas, assim como de neoplasias hematológicas.

2. Como é feita a quimioterapia?

A quimioterapia pode ser administrada de forma isolada, ou em combinação com outras formas de tratamento para o câncer, como as drogas alvo moleculares, a hormonioterapia, a radioterapia e a cirurgia. A combinação da quimioterapia com as demais alternativas terapêuticas pode ser concomitante, neoadjuvante ou adjuvante.

Os quimioterápicos podem ser administrados através das seguintes vias, dependendo da droga:

• Oral;
• Intravenosa;
• Intramuscular;
• Subcutânea;
• Intratecal (pela espinha dorsal);
• Tópica.

A quimioterapia pode envolver a administração de uma única droga (monoterapia). Contudo, como os quimioterápicos têm diferentes mecanismos de ação, a quimioterapia também pode ser feita através da administração de mais de um tipo de medicação, geralmente pertencentes a diferentes classes de quimioterápicos, combinados em um regime pré- determinado de tratamento. Além disso, a quimioterapia costuma ser aplicada de acordo com um ciclo de tratamento pré-estabelecido, independentemente de ser usada uma droga ou mais. A duração do tratamento é variável, dependendo da doença e dos medicamentos utilizados.

Junto com a quimioterapia, os profissionais de enfermagem especializados podem administrar também soro e medicamentos que auxiliam a diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia.

3. Quais os principais efeitos colaterais da quimioterapia

Os efeitos colaterais da quimioterapia variam de acordo com diversos fatores, entre os quais:

• Droga(s) utilizada(s);
• Dose do(s) medicamento(s);
• Duração do ciclo de tratamento;
• Tipo de câncer;
• Estado geral do paciente;
• Existência de outras doenças associadas ao câncer.

Assim, um paciente pode ter um ou mais efeitos colaterais, sendo observada intensidade variável de pessoa para pessoa.

Os efeitos colaterais da quimioterapia usualmente ocorrem em virtude da ação dessas drogas sobre o processo de divisão celular. Dessa forma, além das células tumorais, também são afetadas as células normais que estão em divisão celular, tornando mais susceptíveis à ação dos quimioterápicos os tecidos do organismo com alta taxa de divisão celular, como a medula óssea e as mucosas.

Entre os possíveis efeitos colaterais da quimioterapia, estão:

• Fraqueza;
• Mucosite;
• Diarréia;
• Perda ou ganho de peso;
• Alopecia;
• Alterações nas unhas;
• Náuseas e vômitos;
• Neutropenia, anemia e plaquetopenia;
• Formigamento dos pés e das mãos.

Em geral, os efeitos colaterais da quimioterapia vão diminuindo gradativamente após o término do tratamento, até o completo desaparecimento. Assim, é comum que as unhas retornem ao normal e que os cabelos voltem a crescer.

Contudo, alguns efeitos colaterais podem se tornar permanentes, como é o caso da cessação das menstruações em certos casos de quimioterapia para o câncer de mama. Para saber mais precisamente os possíveis efeitos colaterais aplicados ao seu caso, converse com seu médico.

4. Quimioterapia engorda?

Essa é uma pergunta frequente entre as mulheres com câncer de mama. A medicação em si não engorda, mas vários fatores presentes durante o tratamento podem contribuir para o ganho de peso. Entre eles estão:

• Redução da atividade física com manutenção da ingesta calórica;
• Eventual cessação das menstruações durante a quimioterapia;
• Ansiedade e estresse emocional;
• Uso de medicações associadas à quimioterapia, como corticóides.

Com relação aos outros tipos de câncer, de maneira geral, o paciente pode perder um pouco de peso durante a quimioterapia, por apresentar diminuição do apetite e, eventualmente, náuseas e vômitos.

5. Se uma pessoa recebe quimioterapia e não apresenta tantos efeitos colaterais, significa que o tratamento não está fazendo efeito

Não. Cada organismo é único e reage de forma diferente à quimioterapia. Algumas pessoas podem apresentar reações adversas com a quimioterapia, enquanto outras não, independentemente do efeito que o tratamento está causando no tumor. Somente o médico responsável pelo acompanhamento do paciente poderá dizer se o tratamento está sendo eficaz ou não, com base nos exames físicos, de imagem e/ou laboratoriais.

6. O paciente que está recebendo quimioterapia precisa mudar a sua rotina?

Os possíveis efeitos colaterais da quimioterapia podem determinar a necessidade de o paciente adotar algumas medidas que, juntamente com as demais medicações administradas, irão reduzir a probabilidade de ocorrência desses efeitos colaterais, sua intensidade e/ou sua duração.

Por exemplo, a quimioterapia pode causar neutropenia acentuada em alguns casos. Quando esse risco existe, o paciente pode precisar se precaver, através de algumas atitudes simples, como:

• Ingerir alimentos saudáveis e de procedência segura;
• Evitar ambientes fechados e com muita gente;
• Evitar comer alimentos crus;
• Ter cuidado ao fazer a barba para não se cortar, usando barbeador elétrico, se possível;
• Evitar tirar as cutículas e fazer depilação.

Esses cuidados têm como objetivo reduzir o risco de contrair infecções, durante períodos em que as defesas do organismo podem estar fragilizadas. Para saber se a quimioterapia que você está recebendo causa neutropenia e se você precisa tomar esses cuidados, converse com seu médico.

7. Quando um paciente recebendo quimioterapia deve procurar um médico?

O paciente deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar:

• Febre (temperatura >37,8 o C);
• Manchas ou placas vermelhas pelo corpo;
• Dor ou ardência para urinar;
• Sangramentos que demoram a estancar;
• Falta de ar;
• Diarréia e/ou vômito intensos;
• Inchaço das pernas, principalmente quando é assimétrico (maior de um lado do que do outro);

Mas, de modo geral, se o paciente apresentar quaisquer outras alterações surgidas após o início do tratamento e que sejam motivo de preocupação, ele deve consultar o seu médico.

Drogas Alvo Moleculares

1. O que são drogas alvo moleculares?

Em certos tipos de câncer, estudos recentes têm permitido a melhor elucidação de alguns mecanismos envolvidos no desenvolvimento e progressão da doença. Esses mecanismos geralmente compreendem a função alterada de algumas proteínas encontradas na superfície ou no interior das células tumorais. Assim, essas proteínas passaram a ser alvos para o desenvolvimento de medicamentos para o combate do câncer. Dessa forma, esses novos medicamentos vêm sendo chamados de drogas alvo moleculares. Entre as principais drogas alvo moleculares utilizadas no tratamento do câncer, estão os inibidores de tirosina-quinase e os anticorpos monoclonais.

As drogas alvo moleculares constituem um tratamento sistêmico para o câncer e têm sido usadas de forma isolada ou em combinação com as demais formas de tratamento, incluindo a quimioterapia.

2. Em quê as drogas alvo moleculares diferem da quimioterapia?

De forma geral, a quimioterapia age impedindo a divisão celular, afetando indistintamente as células normais e as células cancerosas. Embora as células as células tumorais frequentemente apresentem altas taxas de divisão celular, tornando mais pronunciado o efeito da quimioterapia sobre essas células, os efeitos colaterais sobre os tecidos sadios podem ser significativos.

Por outro lado, as drogas alvo moleculares agem em proteínas cuja função se encontra desregulada nas células tumorais, aumentando a especificidade do tratamento. Isso é particularmente verdade para aquelas situações em que existem exames que auxiliam a determinar se a droga de alvo molecular tem grande chance de funcionar ou não. Um exemplo dessas situações é o uso de trastuzumabe para pacientes cujo câncer de mama expressa grandes quantidades da proteína HER-2.

Sendo assim, existe uma tendência a que o tratamento com drogas alvo moleculares seja mais bem sucedido, com menor incidência de efeitos colaterais. Contudo, somente o médico oncologista pode determinar quando as drogas alvo moleculares estão indicadas para o tratamento da doença.

• Oral;
• Intravenosa;
• Intramuscular;
• Subcutânea;
• Intratecal (pela espinha dorsal);
• Tópica.

A quimioterapia pode envolver a administração de uma única droga (monoterapia). Contudo, como os quimioterápicos têm diferentes mecanismos de ação, a quimioterapia também pode ser feita através da administração de mais de um tipo de medicação, geralmente pertencentes a diferentes classes de quimioterápicos, combinados em um regime pré- determinado de tratamento. Além disso, a quimioterapia costuma ser aplicada de acordo com um ciclo de tratamento pré-estabelecido, independentemente de ser usada uma droga ou mais. A duração do tratamento é variável, dependendo da doença e dos medicamentos utilizados.

Junto com a quimioterapia, os profissionais de enfermagem especializados podem administrar também soro e medicamentos que auxiliam a diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia.

3. Como essas drogas alvo moleculares agem contra os tumores?

As drogas de alvo molecular normalmente agem através da inibição da ação de proteínas, cuja atividade se encontra desregulada nas células tumorais. Em geral, essas proteínas desempenham funções relacionadas com a capacidade do câncer de se desenvolver e progredir.

Assim, as drogas de alvo molecular podem inibir a ação de proteínas que estimulem a proliferação celular desordenada. Em outros casos, as drogas alvo moleculares podem agir através do bloqueio à atividade de proteínas relacionadas com a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), impedindo o aporte sanguíneo e, consequentemente, a nutrição e oxigenação tumoral. Existem ainda drogas alvo moleculares que inibem proteínas que causam degradação dos tecidos conectivos, atividade usualmente exibida por células causadoras de metástases.

4. Quais são os tipos de drogas alvo moleculares que existem atualmente?

Atualmente, os anticorpos monoclonais e os inibidores de tirosina-quinase são as classes de drogas mais bem estudadas e com melhores resultados clínicos. Apesar disso, existem diversas outras classes de medicamentos que já se encontram em uso clínico ou em fase avançada de desenvolvimento como os inibidores da farnesil-transferase, os oligonucleotídeos antisenso e os inibidores das metaloproteinases.

5. Como são administradas as drogas alvo moleculares?

As drogas alvo moleculares têm sido usadas de forma isolada ou em combinação com as demais formas de tratamento, incluindo a quimioterapia. Usualmente, as drogas alvo moleculares são administradas por via oral ou intravenosa. Os inibidores de tirosina-quinase são geralmente ingeridos por via oral, enquanto os anticorpos monoclonais são normalmente aplicados por via intravenosa. O tratamento com as drogas alvo moleculares costuma seguir um ciclo de tratamento. A duração da terapia é variável, dependendo do estágio da doença e da droga a ser utilizada.

6. O que são e quais são os principais anticorpos monoclonais?

No organismo humano, os anticorpos, conhecidos também como imunoglobulinas, são produzidos quando entramos em contato com algum microrganismo, como nos casos de uma infecção ou no caso da vacinação. O anticorpo produzido serve como uma memória permanente contra esse microrganismo e evita que o mesmo agente infeccioso cause doença se entrarmos em contato com ele no futuro. Caso o micro-organismo em questão entre novamente em nosso organismo, os anticorpos se ligam prontamente às suas estruturas, como uma chave em sua fechadura, imobilizando-o e facilitando a ação de células do sistema imunológico. Assim, o agente infeccioso é destruído rapidamente sem que a pessoa adoeça.

Contudo, os anticorpos também podem ser sintetizados em laboratório, nesses casos, tendo como alvo outras proteínas envolvidas no desenvolvimento e na progressão de certos tipos de tumores. Nesses casos, os anticorpos têm sido enquadrados na classe de drogas alvo moleculares.

Entre os principais anticorpos monoclonais e suas situações mais freqüentes de uso em oncologia estão:

• Alentuzumabe: casos de leucemia linfóide crônica;
• Bevacizumabe: casos avançados de câncer de pulmão, mama, rim, cólon e reto;
• Cetuximabe: casos de localmente avançados de câncer de cabeça e pescoço, além de casos avançados de câncer de pulmão, cólon e reto, sobretudo em pacientes sem mutação de um determinado gene denominado KRAS;
• Rituximabe: alguns tipos de linfomas e leucemias, com expressão de certa proteína denominada CD20;
• Trastuzumabe: casos de câncer de mama com expressão de uma proteína chamada HER-2.

7. O que são e quais são os principais inibidores de tirosina-quinase?

Algumas células produzem determinadas substâncias capazes de estimular o crescimento da própria célula e de outras células. Essas substâncias são chamadas de fatores de crescimento. Os fatores de crescimento exercem seus efeitos através de sua ligação com receptores localizados na superfície das células, chamados de receptores de membrana. Cada fator de crescimento se liga a seu receptor específico, graças à complementaridade estrutural entre as duas moléculas, como em um sistema de chave e fechadura.

Uma vez que o fator de crescimento se liga a seu receptor próprio, desencadeia-se uma série de reações químicas no interior da célula, que culmina com a expressão de genes que irão ativar funções como a proliferação celular ou a angiogênese.

Para que essa série de reações químicas ocorra, é essencial a participação de uma proteína chamada tirosina-quinase. Dessa forma, a inibição da tirosinaquinase previne a transmissão de sinal entre o fator de crescimento, seu receptor, o interior da célula e os genes, impedindo o estímulo à proliferação celular e à angiogênese.

Os inibidores de tirosina-quinase são geralmente administrados por via oral. Atualmente, vários medicamentos dessa classe estão disponíveis para uso clínico. Entre os principais e suas respectivas situações mais frequentes de uso em oncologia estão:

• Dasatinibe: casos de leucemia mielóide crônica;
• Erlotinibe: casos avançados de câncer de pulmão;
• Imatinibe: casos de leucemia mielóide crônica e de de um tipo específico de sarcoma que se desenvolve principalmente no estômago e no intestino delgado, denominado tumor gastrintestinal estromal;
• Nilotinibe: casos de leucemia mielóide crônica;
• Sorafenibe: casos avançados de câncer de rim e de câncer do fígado;
• Sunitinibe: casos avançados de câncer de rim e de um tipo específico de sarcoma que se desenvolve principalmente no estômago e no intestino delgado, denominado tumor gastrintestinal estromal.

Transplante de medula óssea

1. O que é a medula óssea e o que são as células-tronco?

Muitas pessoas confundem a medula óssea com a medula espinhal, que é um órgão do sistema nervoso localizado na coluna vertebral.

A medula óssea é um tecido encontrado no interior dos ossos, na forma de um material de consistência quase líquida, levemente esponjosa. Ela é responsável pela produção de três linhagens de células que fazem parte do sangue e do sistema imunológico:

• Hemácias (ou glóbulos vermelhos), que levam oxigênio para os tecidos;
• Leucócitos (ou glóbulos brancos), que fazem defesa do organismo contra agentes infecciosos;
• Plaquetas, que atuam na coagulação do sangue.

A medula óssea contém células-tronco do sangue (células-tronco hematopoiéticas), também chamadas de células pluripotentes, que têm a capacidade de originar células-filhas de qualquer uma das três linhagens celulares (hemácias, leucócitos e plaquetas). As células-tronco também podem ser encontradas no sangue e no cordão umbilical.

2. Quais são os tipos de transplante de medula óssea existentes?

O transplante de medula óssea pode ser classificado de acordo com o doador e o receptor do transplante:

• Transplante alogênico: o doador e o receptor são pessoas diferentes. O transplante singênico é um subtipo de transplante alogênico, no qual o doador e o receptor são irmão gêmeos idênticos.
• Transplante autólogo: o doador e o receptor são a mesma pessoa;

O transplante também pode ser classificado de acordo com o local onde são coletadas as células-tronco a serem transplantadas: medula óssea ou sangue periférico.

Finalmente, o transplante pode ser classificado de acordo com a intensidade do regime de condicionamento: mieloablativo ou nãomieloablativo (mini-transplante). Para saber mais sobre o condicionamento e os transplantes mieloablativos e não-mieloablativos, consulte as perguntas a seguir.

3. O que é condicionamento?

O termo ‘condicionamento’ refere-se à administração de quimioterapia e/ou radioterapia antes da realização do transplante de medula óssea, com dois principais objetivos:

• Destruir as células malignas existentes no organismo, visando à erradicação da doença;
• Diminuir as células de defesa do organismo, minimizando o risco de rejeição da medula óssea transplantada

Nesse período, normalmente o paciente permanece internado no hospital, em isolamento, em razão de o condicionamento levar a um alto risco de ocorrência de infecções, sangramentos e outras complicações potencialmente sérias.

4. O que é um transplante mieloablativo?

O transplante mieloablativo é aquele em que o regime de condicionamento tem intensidade tal que causa destruição total ou quase total das células da medula óssea do receptor (ablação do órgão). Em geral, o condicionamento mieloablativo usa quimioterapia em altas doses.

Além do efeito sobre as células malignas, essa estratégia visa a as células de defesa do organismo, minimizando o risco de rejeição da medula óssea transplantada. Em contrapartida, os efeitos colaterais desse regime intenso de condicionamento podem ser bastante pronunciados.

5. O que é um mini-transplante?

O mini-transplante, também chamado de não-mieloablativo, emprega um regime de condicionamento de intensidade mais baixa, sem provocar a completa erradicação das células da medula óssea do receptor. Assim, as células imunológicas do doador irão coexistir durante algum tempo com as células da medula óssea do receptor que sobreviveram a esse regime menos intenso de condicionamento.

O objetivo dessa estratégia é induzir um tipo de resposta imunológica denominada “enxerto-versus-hospedeiro”, significando que as células do doador irão atacar as células remanescentes do receptor. Contudo, essa resposta também irá se acompanhar de um efeito chamado de “enxertoversus-tumor”, ou seja, as células do doador irão combater também as células tumorais presentes na medula óssea do receptor, auxiliando na erradicação do câncer.

Sendo assim, o mini-transplante emprega, além da quimioterapia, uma estratégia imunológica de combate a certas neoplasias hematológicas.

Além disso, o mini-transplante geralmente apresenta um menor risco de efeitos colaterais graves, devido ao uso de um regime de condicionamento menos intenso. Por esse motivo, essa estratégia de tratamento, que ainda está sob investigação mais aprofundada, vem sendo estudada, entre outras situações, naqueles casos de pacientes cujas condições clínicas não permitiriam a realização de um transplante mieloablativo.

6. Como é feita a coleta de células-tronco da medula óssea?

As células-tronco usadas da medula óssea são encontradas na parte semilíquida central de determinados ossos do corpo humano. O procedimento de coleta é similar para os dois tipos de transplante (alogenéico ou autólogo).

O doador (que pode ser o próprio paciente, nos casos de transplante autólogo) recebe anestesia geral ou regional (peridural). A seguir, agulhas são inseridas geralmente no osso da bacia, através da pele. Então, a medula óssea é aspirada para uma seringa, sendo retirada e acondicionada. Esse processo normalmente dura uma hora.

Ao contrário do que muitos podem pensar, em virtude de todo o processo todo receber o nome de ‘transplante’, não há a realização de nenhuma cirurgia.

A medula óssea coletada é então processada para remover sangue e fragmentos de osso que possam estar presentes. Depois, a medula óssea recebe um conservante e é congelada para manter as células vivas até o momento de sua infusão no receptor. Essa técnica é chamada de criopreservação. As células-tronco podem permanecer preservadas desta maneira durante muitos anos.

7. Como é feita a coleta de células-tronco do sangue periférico?

Para coleta das células-tronco do sangue periférico, o doador recebe, durante alguns dias, medicamentos que estimulam o crescimento das células sangüíneas.

A seguir, o doador é submetido a um procedimento que se assemelha à doação de sangue. Após ser puncionado um vaso sangüíneo do doador, parte do seu sangue é coletado, fluindo através de um cateter para uma máquina que faz a separação da fração de seu sangue que é mais rica em células-tronco. O sangue é então devolvido ao doador. Todo esse processo, denominado aférese, é realizado em uma mesma sessão, que dura algumas horas.

Normalmente, é preciso que o doador seja submetido à aférese por dois a quatro dias consecutivos, possibilitando a coleta de uma quantidade suficiente de células-tronco.

8. A doação de medula óssea ou de células tronco do sangue periférico envolve algum risco?

Considerando que somente uma pequena quantidade de medula óssea é colhida, geralmente não há nenhum problema importante ao doador.

No caso da doação medula óssea, o único possível risco, ainda que muitíssimo baixo, envolve a anestesia necessária para a punção do osso. A área de onde foi retirada a medula pode ficar inchada e dolorida por alguns dias.

Em ambos os casos (doação de medula e de células-tronco do sangue periférico), o doador pode sentir um pouco mais de cansaço. Contudo, seu organismo geralmente repõe as células doadas num período médio de poucas semanas, variando de 4 a 5 dias até alguns meses.

9. O que é doador compatível?

No caso de um transplante alogenéico, o tecido do doador deve ter características genéticas que se aproximem das do receptor, de forma a diminuir o risco de ocorrência da doença do enxerto-versus-hospedeiro. A compatibilidade de características genéticas é avaliada com base no gene HLA.

10. Como o paciente recebe o transplante?

Após a realização do condicionamento, a medula óssea colhida do doador é infundida no receptor, por via intravenosa, como se fosse uma transfusão sanguínea normal. Essa parte do transplante pode durar de 1 a 5 horas.

Novamente deve-se ressaltar que, ao contrário do que muitos podem pensar, não há a realização de nenhuma cirurgia para se receber o transplante de medula óssea.

11. O que acontece após o transplante?

Após serem infundidas na circulação sanguínea do receptor, as célulastronco viajam em direção da medula óssea, onde se instalam e começam a produzir novas células das três linhagens sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas).

Esse processo, comumente chamado de “pega” do enxerto (ou engraftment, em inglês), normalmente ocorre em um período de 2 a 4 semanas após o transplante, sendo monitorado através de hemogramas freqüentes. Contudo, a restauração do funcionamento normal do sistema imunológico do receptor de um transplante de medula óssea pode levar de vários meses até 1 ou 2 anos após o transplante, dependendo de ter sido um transplante autólogo ou alogênico.

Durante os meses que se seguem ao transplante, os resultados de vários exames de sangue são analisados, para confirmar que novas células sadias estão sendo produzidas e que não houve recidiva do câncer. Em alguns casos, pode ser necessária a aspiração da nova medula óssea para auxiliar a avaliação de seu funcionamento.

12. O que é a doença do enxerto-versus-hospedeiro (em inglês, GVHD, de graft-versus-host disease)?

A doença do enxerto-versus-hospedeiro (em inglês, GVHD, de graft-versushost disease) é um dos principais efeitos colaterais do transplante, embora possa ser paradoxalmente desejável em certos casos.

Na doença do enxerto-versus-hospedeiro, as células de defesa do doador que foram infundidas no receptor passam a reconhecer como estranhas as células do receptor, resultando em uma resposta imunológica contra o próprio receptor do transplante. Essa resposta imunológica pode resultar em uma série de lesões em órgãos como a pele, o intestino, o fígado, os olhos e a boca. A utilização de medicamentos que suprimem a resposta imunológica (imunossupressores) pode diminuir o risco de ocorrência da doença do enxerto-versus-hospedeiro.

Todavia, apesar desses efeitos indesejáveis, a doença do enxerto-versushospedeiro pode auxiliar na erradicação das células cancerosas (leia mais na pergunta que aborda o mini-transplante). Sendo assim, é importante que a equipe que trata o paciente encontre a dose adequada dos imunossupressores, de tal maneira que sejam controlados os sintomas da doença do enxerto-versus-hospedeiro e, ao mesmo tempo, que ser possibilite que o enxerto exerça sua função na erradicação das células cancerosas.

13.Quais são as complicações mais freqüentes do transplante de medula óssea?

As complicações mais freqüentes e potencialmente graves do transplante são infecciosas. Uma série de microorganismos, incluindo bactérias, fungos, vírus e protozoários, representa a maior ameaça ao paciente. Existem diversos esquemas para prevenção e tratamento dessas infecções, que podem ocorrer durante a fase de condicionamento, imediatamente após o transplante, ou até vários meses após a infusão das células-tronco.

Outra complicação característica do transplante de medula é a doença veno-oclusiva hepática, também conhecida como VOD (do inglês, "venoocclusive disease"). Esta complicação, resultante principalmente da quimioterapia usada no condicionamento, pode ocorrer nos primeiros dias após o transplante e é caracterizada por retenção de líquidos, aumento do volume do fígado e aumento da bilirrubina. O tratamento visa o controle dos sintomas, ocorrendo reversão desse efeito colateral na maioria dos casos.

O transplante de medula óssea pode causar inúmeros outros efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarréia, mucosite, inflamação dos pulmões, perda temporária de cabelo, alterações nas unhas etc. Alguns desses efeitos colaterais, quando existentes, são controlados através de medicações apropriadas. Outros, como a queda de cabelo e as alterações nas unhas, geralmente apresentam reversão espontânea alguns meses após o transplante.

Radioterapia

1. O que é radioterapia?

A radioterapia é um método de tratamento que emprega feixe de radiação ionizante. A radioterapia é mais frequentemente utilizada para o tratamento local do câncer, objetivo que é alcançado através da destruição das células tumorais. Contudo, existem algumas situações mais raras em que radioterapia é utilizada para o tratamento de tumores benignos e de outras doenças não-malignas.

Existem diversas técnicas de radioterapia, entre as quais:

• Radioterapia externa (ou teleterapia);
• Braquiterapia;
• Radiocirurgia;
• Radioterapia intra-operatória;
• TBI;
• TSI.

2. O que são radiações ionizantes?

As radiações ionizantes são aquelas que carregam energia suficiente para alterar a estrutura dos átomos. A radiação ionizante age transferindo sua energia para o meio, o que resulta no desligamento de partículas eletricamente carregadas dos átomos, processo chamado de ionização. Além disso, as partículas desligadas dos átomos podem receber energia adicional, que é convertida na aceleração dessas partículas.

3. Quais são as radiações utilizadas na radioterapia?

Os feixes de radiação ionizante utilizados na radioterapia podem ser compostos de ondas eletromagnéticas ou de partículas.

As ondas eletromagnéticas incluem os raios-X, produzidos por um equipamento especial, denominado acelerador linear. O feixe de raios-X utilizado na radioterapia difere daquele utilizado para a realização de radiografias diagnósticas pela sua quantidade de energia, que é da ordem de 100 vezes mais alta. O feixe de raios-X é atualmente empregado na maioria dos tratamentos de teleterapia.

As ondas eletromagnéticas incluem também os raios-gama, produzidos por fontes radioativas como o Cobalto-60, o Iodo-125 e o Irídio-192. O Cobalto- 60 era bastante utilizado para realização de teleterapia, mas vem sendo substituído pelos aceleradores lineares. O Iodo-125 e o Irídio-192 são exemplos de emissores de raios-gama usados na braquiterapia.

A radioterapia pode ainda empregar os feixes de partículas. Atualmente, no Brasil, existem apenas equipamentos capazes de gerar feixes de elétrons, utilizados no tratamento de lesões superficiais e nos casos de radioterapia intra-operatória. O feixe de elétrons é gerado por alguns aceleradores lineares. Em centros da Europa e Estados Unidos, existem equipamentos capazes de gerar feixes de nêutrons e partículas-alfa, usados para o tratamento de tumores específicos.

4. Como a radioterapia age sobre o câncer?

A radioterapia atua alterando a estrutura de diferentes moléculas no interior das células, em especial o DNA. As partículas eletricamente carregadas e aceleradas, resultantes da interação da radiação ionizante com o organismo, podem agir direta ou indiretamente sobre o DNA, causando danos à estrutura das moléculas de DNA.

A alteração do DNA provocada pela radioterapia nas células tumorais leva à destruição dessas células. Esse efeito também é observado sobre as células normais, o que pode ocasionar os efeitos colaterais da radioterapia.

Contudo, a forma como a radioterapia é administrada, a dose aplicada e o intervalo entre as aplicações foram estudados de maneira a permitir um maior efeito sobre o câncer e um menor efeito sobre as células normais.

Além disso, o médico radioterapeuta, durante a fase de preparação do tratamento, busca a maneira mais adequada de aplicar a máxima dose recomendada no tumor, com a mínima exposição possível dos tecidos sadios. Dessa forma, o tratamento objetiva a maior probabilidade de cura, com a menor incidência possível de efeitos colaterais.

5. O que é simulação e planejamento?

Todas as modalidade e técnicas de radioterapia têm em comum a necessidade de realização de uma preparação antes de se iniciar o tratamento. Nessa fase de preparação, comumente chamada de simulação e/ou planejamento, a equipe de tratamento, formada pelo médico radioterapeuta, físicos médicos e técnicos em radioterapia, define a posição mais adequada do paciente para a realização do tratamento. Essa posição deverá ser exatamente reproduzida, todas as vezes em que o paciente for realizar a radioterapia. Em geral, são empregados suportes especiais e/ou almofadas para garantir a reprodutibilidade diária do posicionamento e para melhorar o conforto do paciente.

Além disso, durante a fase de simulação e planejamento, são realizados exames que irão ajudar o médico radioterapeuta a mais bem definir a área de tratamento. Na maioria das vezes, esses exames são necessários, mesmo que alguns deles já tenham sido anteriormente realizados. Normalmente, os exames são feitos com o paciente na posição de tratamento, utilizando os eventuais acessórios que auxiliam a manter esse posicionamento. Entre os exames que podem ser realizados nessa fase estão:

• Exame clínico (palpação pelo médico radioterapeuta);
• Radiografias;
• Ultra-sonografia;
• Tomografia computadorizada;
• Ressonância magnética;
• Tomografia por emissão de pósitrons (PET scan);

Assim, a fase de simulação e planejamento pode requerer a ida do paciente ao serviço de radioterapia por uma ou mais vezes.

Após a realização desses exames, a equipe de tratamento realiza uma série de cálculos, que podem levar desde alguns minutos até cerca de uma semana, visando à definição da melhor forma de tratar o paciente. Habitualmente, a realização desses cálculos não requer a presença do paciente. Finda a fase de simulação e planejamento, o paciente está pronto para iniciar a radioterapia.

6. Durante a simulação e o planejamento, é necessário fazer marcas na pele?

Em alguns casos, pode ser necessária a realização de marcas na pele durante a fase de simulação e planejamento. Essas marcas, quando necessárias, podem auxiliar a reprodução da posição do paciente em cada sessão de radioterapia. As marcas podem ser feitas com uma tinta especial, mais resistente à lavagem da pele. Durante o tratamento essas mercas precisam ser preservadas, devendo ser retocadas pela equipe de tratamento sempre que estiverem esmaecendo.

Alguns serviços de radioterapia podem ainda optar por fazer algumas marcas permanentes na pele do paciente, cada qual do tamanho da cabeça de um alfinete. Essas marcas são praticamente imperceptíveis e visam a deixar registrada no corpo do paciente a área que foi tratada, já que a administração de nova radioterapia em um área anteriormente irradiada pode requerer um planejamento especial.

7. A radioterapia externa (teleterapia) tem diferentes técnicas de aplicação. Qual a diferença entre elas?

Atualmente, existem diversas técnicas de radioterapia externa, entre as quais:

• Radioterapia convencional;
• Radioterapia tridimensional conformada (ou conformacional);
• Radioterapia com intensidade modulada de feixe (IMRT);
• Radioterapia guiada por imagens (IGRT).

Essas técnicas diferem pelos procedimentos que são realizados durante a fase de simulação e planejamento, resultando em maior ou menor precisão do tratamento.

Na radioterapia convencional, a definição da área de tratamento se faz com base nos exame clínico (palpação pelo médico radioterapeuta) e com base nos exames anteriormente realizados pelo paciente. Os cálculos realizados pelos físicos médicos são manuais e tratamento tem uma precisão relativamente baixa. Mesmo assim, essa técnica pode ser indicada para o tratamento de diversos casos, como os de metástases ósseas e cerebrais, sem prejuízo para o paciente.

Na radioterapia tridimensional conformada (ou conformacional), o paciente é submetido a uma tomografia computadorizada durante a fase de simulação e planejamento. A seguir, o médico delimita as áreas doentes e sadias no exame, utilizando um computador apropriado para esse fim. Os cálculos também são computadorizados e a precisão do tratamento é maior do que na radioterapia externa convencional. Atualmente, a maioria dos tratamentos com radioterapia externa emprega essa técnica.

A radioterapia com intensidade modulada de feixe (IMRT) é um refinamento da técnica de radioterapia tridimensional conformada. A partir dos cálculos realizados no computador, pequenas lâminas de tungstênio se movem no interior do aparelho de tratamento, durante a liberação do feixe de radiação. Esse movimento permite uma melhor proteção dos tecidos sadios, aumentando a precisão do tratamento. Esse tratamento tem sido muito usado em casos de câncer de próstata, entre outros.

A radioterapia guiada por imagens se baseia na utilização de radiografias, fachos de luz infravermelha, ou outros mecanismos para monitorar a respiração e movimentos involuntários do paciente imediatamente antes e durante a aplicação da radioterapia. Com base nesse monitoramento, a posição do aparelho de radioterapia é automaticamente ajustada, para compensar os possíveis desvios provocados pela movimentação do paciente. Essa técnica garante máxima precisão ao tratamento e geralmente é usada em combinação com a radioterapia tridimensional conformada ou com a radioterapia com intensidade modulada de feixe.

8. Como funciona a braquiterapia endoluminal? Em que casos ela é usada?

Em certos casos de câncer de pulmão ou de esôfago, por exemplo, pequenas lesões localizadas no interior dos brônquios (estruturas cilíndricas que levam o ar para dentro dos pulmões) ou do próprio esôfago podem causar sintomas de obstrução e/ou sangramento. Nesses casos, pode se realizar a inserção de um cateter de plástico na luz dos brônquios ou do esôfago, por dentro dos quais se insere uma pequena fonte de material radioativo. A fonte pode ficar dentro do cateter por alguns minutos, casos em que a internação não é necessária e o tratamento é repetido por duas a quatro vezes em intervalos de aproximadamente uma semana, ou ficar no cateter por alguns dias (geralmente de três a cinco), casos em que é necessária a internação em quarto isolado e que o tratamento é realizado uma única vez. Terminado o tratamento, o cateter e as fontes radioativas são retiradas e o paciente recebe alta.

9. Como funciona a braquiterapia intracavitária? Em que casos ela é usada?

Em alguns casos de câncer do útero, pode ser necessária a realização de braquiterapia na cavidade uterina e/ou na cavidade vaginal. Nesses casos, aplicadores especiais são inseridos pela vagina da paciente, dentro dos quais são colocadas pequenas fontes de material radioativo. A fonte pode ficar dentro do cateter por alguns minutos, casos em que a internação não é necessária e o tratamento é repetido por duas a quatro vezes em intervalos de aproximadamente uma semana, ou ficar no cateter por alguns dias (geralmente de três a cinco), casos em que é necessária a internação em quarto isolado e que o tratamento é realizado uma única vez. Terminado o tratamento, o cateter e as fontes radioativas são retiradas e o paciente recebe alta.

10. Como funciona a braquiterapia oftálmica? Em que casos ela é usada?

Em alguns casos de câncer das estruturas do olho, pode ser necessária a realização de braquiterapia. Nesses casos, uma pequena cirurgia é realizada para a inserção de um pequeno aplicador sobre o local do tumor, com pequenas fontes de material radioativo acopladas a ele. O aplicador tem formato côncavo, de forma a ficar totalmente em contato com a área afetada. Em geral, é necessária internação em quarto isolado por três a cinco dias, período após o qual uma pequena cirurgia é realizada para a remoção do aplicador e das fontes. Uma vez removido o aplicador, o paciente geralmente recebe alta.

11. Como funciona a braquiterapia para sarcomas?

Em alguns casos de sarcoma, a braquiterapia pode ser usada como complemento à cirurgia, para diminuir o risco de recidiva da doença. Nesses casos, imediatamente após a remoção do tumor, cateteres de plástico são colocados na área onde o tumor se localizava, geralmente braço ou perna. Esses cateteres ficam dentro do membro, se exteriorizando pela pele. Após alguns dias de realizada a cirurgia, pequenas fontes de material radioativo são radioativo são inseridas pelos cateteres. A fonte pode ficar dentro do cateter por alguns minutos, casos em que a internação não é necessária e o tratamento é repetido por duas a quatro vezes em intervalos de aproximadamente uma semana, ou ficar no cateter por alguns dias (geralmente de três a cinco), casos em que é necessária a internação em quarto isolado e que o tratamento é realizado uma única vez. Terminado o tratamento, os cateteres e as fontes radioativas são retiradas sem a necessidade de nova cirurgia e o paciente recebe alta.

12. Como funciona a braquiterapia para o câncer de próstata?

Nos casos de câncer de próstata, a braquiterapia pode ser usada isoladamente ou em combinação com a radioterapia externa. Além disso, podem ser usadas técnicas de implante temporário ou permanente de material radioativo.

Nos casos de implante temporário de material radioativo, cateteres de plástico são inseridos na próstata do paciente, através do períneo (região localizada entre a bolsa escrotal e o ânus). A seguir, pequenas fontes de material radioativo são inseridas dentro dos cateteres por alguns minutos, até que a dose adequada de radiação seja liberada. Terminado o tratamento, os cateteres e as fontes radioativas são retiradas e o paciente recebe alta. Geralmente, o tratamento é repetido por duas a quatro vezes.

Nos casos de implante permanente de material radioativo, as fontes diretamente inseridas na próstata, através do períneo, lá permanecendo pelo resto da vida do paciente. Como as fontes emitem radiação de baixa intensidade, de forma geral não há risco para outras pessoas; apenas recomenda-se evitar o contato muito próximo com gestantes e crianças nas primeiras 24 horas após o procedimento e o uso de preservativos nas relações sexuais durante as primeiras semanas.

Com o passar do tempo, o material radioativo do implante permanente vai perdendo sua atividade, de forma que não há problema em que ele permaneça dentro da próstata. Em geral, esse procedimento dura em torno de duas horas e não há necessidade de internação.

13. O que vou sentir durante e após a aplicação da radioterapia?

Normalmente, o paciente não sente nada durante e imediatamente após a aplicação da radioterapia. Os eventuais efeitos colaterais da radioterapia geralmente demoram alguns dias aparecer. Habitualmente, os efeitos colaterais não surgem abruptamente; eles se desenvolvem de forma insidiosa ao longo da radioterapia. Salvo em situações especiais, que serão devidamente explicadas pelo médico radioterapeuta, o paciente pode comparecer sozinho ao serviço de radioterapia, retomando suas atividades normais ao término do tratamento.

14. Será preciso ficar internado durante o tratamento?

Na grande maioria dos casos, o paciente não precisa ficar internado para realização da radioterapia. Somente em situações especiais, como nos casos de radioterapia intra-operatória, certos casos de braquiterapia e casos de TBI, é necessária a internação.

15. A radiação ficará no meu corpo durante todo o período que durar a radioterapia? Preciso evitar o contato com crianças e gestantes?

Não. A radiação não permanece no seu corpo. Você não vai expor outras pessoas à radiação e, portanto, não precisa evitar o contato com crianças ou gestantes. A única ressalva a essa regra abrange certos casos de braquiterapia de próstata (ver pergunta 12 nesta seção).

16. A radiação ficará no meu corpo durante todo o período que durar a radioterapia? Preciso evitar o contato com crianças e gestantes?

Cada pessoa reage de forma diferente à radioterapia, sendo que a intensidade desses efeitos depende da dose do tratamento e da extensão da área irradiada. É comum que a pele que recobre a área irradiada apresente vermelhidão, ardor, coceira e alteração da coloração (escurecimento).

Os efeitos colaterais também variam conforme a parte do corpo tratada:

• Cabeça: pode ocorrer queda de cabelo, náuseas e vômitos.
• Boca e pescoço: pode haver dificuldade para alimentação devido à inflamação do revestimento interno da boca e da garganta (mucosite).
• Tórax: pode haver tosse seca, por inflamação dos brônquios (estruturas cilíndricas que levam o ar para dentro dos pulmões), ou dificuldade para alimentação, por mucosite no esôfago (órgão cilíndrico que leva o alimento ao estômago).
• Abdome: podem ocorrer náuseas, vômitos, diarréia.
• Bacia: pode haver ardor para urinar e/ou evacuar. Nas mulheres, pode ocorrer secura vaginal, com desconforto durante relações sexuais. Nos homens, pode haver diminuição do fluido da ejaculação quando a próstata é irradiada.

Além desses efeitos dependentes da área de tratamento, os pacientes em radioterapia podem apresentar cansaço. Normalmente, os efeitos colaterais desaparecem gradativamente ao término do tratamento.

A radioterapia pode ainda causar alguns efeitos colaterais denominados tardios, por ocorrerem meses ou anos após término o tratamento. Esses efeitos colaterais são mais raros, mas podem também ser mais graves. Consulte o médico a respeito dos possíveis efeitos colaterais tardios da radioterapia.

17. Que cuidados eu devo tomar durante meu tratamento com radioterapia?

Não. A radiação não permanece no seu corpo. Você não vai expor outras pessoas à radiação e, portanto, não precisa evitar o contato com crianças ou gestantes. A única ressalva a essa regra abrange certos casos de braquiterapia de próstata (ver pergunta 12 nesta seção).

• Lave a área tratada com água e sabão neutro. Enxugue com uma toalha macia, sem esfregar.
• Não use cremes, loções, talcos, desodorantes, perfumes, medicações ou qualquer outra substância na área irradiada, sem a orientação da equipe de tratamento.
• Só utilize algum tipo de curativo na pele com a orientação de seu médico.
• Não utilize sacos de água quente ou gelo, lâmpadas ou qualquer outro material sobre a pele em tratamento.
• Proteja a pele exposta à luz solar, usando um protetor solar com fator igual ou maior do que 15.
• Dê preferência às roupas feitas de algodão. Evite os tecidos sintéticos do tipo nylon, lycra ou tecidos mistos com muita fibra sintética.
• Evite usar roupas apertadas.


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