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Tumores de endométrio

O endométrio é a camada interna do útero que, durante a vida fértil da mulher, descama a cada ciclo menstrual. É nesse tecido que se originam mais de 90% dos tumores do corpo uterino, os adenocarcinomas de endométrio. Quase a totalidade dos casos ocorre em mulheres com mais de 40 anos, sendo que a idade média ao diagnóstico é em torno dos 60 anos.

O aparecimento desse tumor está associado à ação hormonal do estrógeno. Situações em que ocorre maior exposição ao estrógeno aumentam os riscos de aparecimento desse tumor.

As mulheres que apresentam menarca (primeira menstruação) muito jovens, antes dos 12 anos, e/ou menopausa após os 50 anos, as pacientes pós-menopausadas que fazem reposição hormonal com estrógeno e sem progesterona associada, assim como as pacientes com síndrome do ovário policístico, que apresentam níveis elevados de estrógeno circulante no organismo, apresentam riscos maiores de desenvolver tumor de endométrio.

Da mesma maneira, as mulheres que nunca engravidaram têm risco aumentado. Outros fatores que elevam o risco de câncer de endométrio podem incluir:
• Obesidade;
• Diabetes;
• Hipertensão;
• Antecedente de radiação na região pélvica;
• Uso de tamoxifeno;
• História familiar da doença.

Ainda não se conhece ao certo a incidência do tumor de endométrio no Brasil. Nos Estados Unidos, aproximadamente 36 mil mulheres são diagnosticadas com esse tumor a cada ano, sendo esse considerado o câncer do sistema reprodutor feminino mais comum naquele país. No Brasil, o número de casos de câncer de colo uterino ainda supera os casos de câncer de endométrio.

O principal sintoma do adenocarcinoma de endométrio é a ocorrência de sangramento vaginal em mulheres pós-menopausadas, ou sangramento irregular naquelas ainda em pré-menopausa. A ocorrência desse sintoma deve sempre ser avaliada por um médico ginecologista, que irá realizar exame físico e solicitar testes diagnósticos que julgar necessários.

Para o diagnóstico anátomo-patológico, um fragmento do endométrio pode ser obtido através da biópsia endometrial por histeroscopia (inserção de um tubo fino e flexível dentro do útero através do colo uterino) ou através da dilatação do colo uterino com curetagem (raspagem do interior uterino).

O ultrassom transvaginal pode ser útil para determinar a espessura do endométrio. Outros exames de imagem também podem auxiliar, como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética de abdome/pelve e a radiografia de tórax.

A cirurgia é o tratamento principal no tumor de endométrio, podendo promover a cura da doença em casos iniciais. Na cirurgia ideal retira-se, além de todo o útero (corpo, colo e trompas), os ovários, linfonodos suspeitos, o omento (tecido rico em gordura que recobre os órgãos) e todo foco de doença intra-abdominal, se presente. O tratamento complementar é então definido após o resultado obtido nessa cirurgia.

A radioterapia poderá ser usada em alguns casos.

No caso de doença mais avançada, pode ser necessário tratamento complementar com quimioterapia, que é também indicada nos casos em que a doença compromete outros órgãos.

Tumores de ovário

Os ovários são os órgãos responsáveis pela produção de óvulos e hormônios femininos, como o estrógeno e a progesterona, e cada um deles está localizado em cada lado do útero, na pelve feminina. Em virtude dessa localização, os tumores originários do ovário podem crescer durante muito tempo sem causar sintomas importantes, não raro alcançando 10 a 12 cm de diâmetro.

Alguns fatores de risco foram identificados para o desenvolvimento do câncer de ovário. A idade é um deles: a incidência do câncer de ovário aumenta com a idade, e se mostra mais evidente ao redor dos 70 anos. O antecedente familiar de câncer de ovário ou câncer de mama aumenta o risco, particularmente se esses tumores envolvem mutações em genes denominados BRCA-1 e BRCA-2.

Na história reprodutiva da mulher, outros fatores que podem elevar o risco de câncer de ovário incluem:
• Ausência de gravidez anterior;
• Primeiro filho após os 30 anos;
• Não ter usado anticoncepcionais;
• Menstruação pela primeira vez antes dos 12 anos;
• Entrada na menopausa depois dos 50 anos.

Não existem dados sobre a incidência de tumores de ovário no Brasil. Dados americanos mostram que ela é o sexto tumor mais freqüente em mulheres, representando 4% de todos os casos de câncer que acometem o sexo feminino naquele país. Aproximadamente 90% dos casos de câncer de ovário são do tipo adenocarcinoma. Em frequência muito menor, ocorrem tumores derivados de células estromais do ovário, de células produtoras de hormônios e de células germinativas.

Os sinais e sintomas relacionados com a presença do tumor de ovário são geralmente inespecíficos. A paciente pode se queixar de inchaço abdominal prolongado por causa da presença da massa tumoral e/ou por acúmulo de líquido, chamado ascite. Em alguns casos, sintomas digestivos como perda de apetite, indigestão, empachamento e dor abdominal predominam. Por vezes, ocorre sensação de pressão pélvica, com sintomas urinários ou intestinais constantes ou mesmo dores lombares. Por fim, o câncer de ovário pode estar associado a derrame pleural unilateral ou bilateral, sangramento vaginal e trombose de veias de membros inferiores.

Os exames mais comumente usados na avaliação inicial incluem a ultrassonografia de abdome e pelve ou transvaginal e a tomografia computadorizada de abdome e pelve. É útil também a avaliação da região do tórax, por meio de radiografia simples ou tomografia.

Como em outros tipos de tumor, o diagnóstico definitivo do câncer de ovário é baseado no exame anátomo-patológico, realizado em material obtido durante uma cirurgia. Esta cirurgia deve ser feita por ginecologista ou cirurgião com ampla experiência oncológica, já que a extensão da ressecção cirúrgica é um dos maiores fatores prognósticos em câncer de ovário

O tratamento dos tumores de ovário se baseia primariamente na ressecção cirúrgica extensa, minimizando a quantidade de tumor presente na cavidade abdominal. Este princípio é válido até em fases avançadas da doença, pois confere maior tempo e qualidade de vida. No tratamento inicial, a cirurgia ideal consiste na retirada total do útero, trompas e ovários, avaliação de todo o peritônio, exame microscópico de todas as lesões e linfonodos suspeitos, e retirada do omento (camada de tecido rico em gordura que recobre os órgãos). Em muitos casos, intervenções cirúrgicas também são necessárias para tratamento de complicações relacionadas com a localização do tumor como aderências, obstrução intestinal e fístulas.

O câncer de ovário é um tumor bastante sensível à quimioterapia, forma de tratamento comumente indicada após a cirurgia ou quando ocorre recidiva da doença durante o acompanhamento. O seguimento das pacientes deve ser feito por exame clínico periódico, dosagem do marcador tumoral CA125 e exames de imagem.

Câncer de testículo

Os testículos fazem parte do sistema reprodutivo masculino e são responsáveis pela produção e armazenamento dos espermatozóides. Além disso, os testículos são os principais órgãos de produção do hormônio masculino testosterona.

A causa exata do câncer de testículo não é conhecida, mas a criptorquidia é um importante fator de risco para o aparecimento deste tipo de tumor. A criptorquidia é uma condição médica na qual não ocorre a descida correta do testículo da cavidade abdominal, onde o mesmo se desenvolve na vida intrauterina, para o escroto, durante o desenvolvimento do feto.

Dentre os tumores malignos do homem, 5% ocorrem nos testículos. O câncer de testículo atinge principalmente homens entre 15 e 40 anos de idade, sendo o tumor mais frequente nessa faixa etária. O câncer de testículo é considerado raro, sendo sua incidência de três a cinco casos para cada grupo de 100 mil indivíduos. Apesar de pouco frequente, é um tumor que atinge pessoas jovens e, portanto, em idade produtiva.

Com base nas características das células do tumor, o câncer de testículo é classificado em seminoma ou não-seminoma. Existem outros tipos de tumores de testículo que são ainda mais raros do que os dois tipos principais.

A maioria dos tumores de testículo é notada pelo próprio paciente. O sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, em um dos testículos. A avaliação médica imediata é recomendada sempre que for notada a presença de:
• Qualquer nódulo testicular;
• Alterações como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos;
• Dor imprecisa no abdômen inferior e aumento ou sensibilidade dos mamilos

A alteração encontrada pode se tratar somente de uma infecção. Porém, se após a administração de medicamentos não houver melhora do inchaço ou dos sintomas, é recomendável procurar o médico novamente.

A investigação do câncer de testículo é geralmente realizada por métodos de imagem, que podem incluir ultrassonografia de testículo, tomografia computadorizada de abdome e pelve, e radiografia ou tomografia computadorizada de tórax.

Além disso, alguns marcadores tumorais podem ser dosados no sangue, entre eles a alfa-fetoproteína, a fração beta da gonadotrofina coriônica (beta-HCG, sigla em inglês) e a desidrogenase lática (DHL, sigla em inglês). Esses marcadores tumorais podem auxiliar no diagnóstico, sendo também importantes para o acompanhamento futuro da doença.

O tratamento inicial do câncer de testículo é geralmente cirúrgico e ocorre através de um pequeno corte no abdome, permitindo a retirada do testículo afetado. Isso é feito porque a cirurgia para retirada do testículo (orquiectomia) não deve ser realizada através da pele da bolsa escrotal, porque isso aumenta o risco de disseminação da doença. A orquiectomia não afeta a função sexual do paciente, desde que o outro testículo seja normal. Por outro lado, a função reprodutiva (a capacidade de ter filhos) pode ser alterada pelo tratamento do câncer do testículo; portanto, o aconselhamento especializado é recomendável antes do início do tratamento. Atualmente, recomendase o congelamento de amostras de sêmen para os pacientes que desejam ter filhos no futuro.

A complementação do tratamento dependerá da classificação das células tumorais (seminoma ou não-seminoma) e do acometimento ou não de linfonodos e/ou de outros órgãos.

Assim, em alguns casos, pode ser necessária a aplicação de radioterapia após a remoção do testículo. A radioterapia é geralmente administrada na porção central do abdome, podendo ou não englobar parte da pelve. Nesses casos, a radioterapia pode ter caráter preventivo, para reduzir o risco de recidiva da doença nos linfonodos abdominais e pélvicos, ou caráter terapêutico, para o tratamento da doença presente nessas estruturas.

Recentemente, tem sido demonstrado que a omissão da radioterapia preventiva pode produzir resultados equivalentes, desde que o paciente se comprometa a seguir um rigoroso programa de acompanhamento. Essa opção deve ser cuidadosamente discutida com o médico.

Em outros casos, pode ser necessária a administração de quimioterapia após a remoção do testículo. A quimioterapia pode ter caráter preventivo, para reduzir o risco de recidiva da doença nos linfonodos e em outros órgãos, ou caráter terapêutico, para o tratamento da doença presente nessas estruturas.

O câncer de testículo é um dos tumores com maior índice de cura, porque é altamente responsivo à quimioterapia e à radioterapia. Mesmo assim, o acompanhamento periódico é muito importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença, que podem ocorrer em linfonodos ou em outros órgãos. Quanto mais precocemente é detectada uma recidiva, maior a chance de cura.

O acompanhamento após o tratamento geralmente inclui a realização periódica de exame físico e exames complementares, que podem incluir a dosagem de marcadores tumorais, radiografia ou tomografia de tórax, ultra-sonografia ou tomografia de abdome, e outros, a critério do médico.

Câncer de mama

No mundo inteiro, o câncer de mama é o segundo tumor mais comum e o mais frequente em mulheres. No Brasil, são estimados cerca de 50 mil casos novos a cada ano. Homens também podem ter câncer de mama, mas isso é relativamente raro.

A paciente com câncer de mama em estágio inicial pode não apresentar qualquer sintoma. Frequentemente o nódulo é identificado através do autoexame ou em exames médicos de rotina, como a ultrassonografia mamária e a mamografia. No entanto, alguns sinais podem servir de alerta: alteração da forma ou do tamanho da mama, saída de secreção pelo mamilo, nódulo na axila e espessamento ou enrugamento da pele da mama ou do mamilo.

Além de servir como exame de rotina em mulheres saudáveis e com idade superior a 40 anos, a mamografia é um exame simples e muito útil para a avaliação inicial da paciente com suspeita de câncer de mama. Além da mamografia, a ultra-sonografia também pode auxiliar na avaliação. Para a confirmação do diagnóstico, é necessário realizar uma biópsia, ou seja, retirar um fragmento do tumor sob anestesia local e submetê-lo ao exame anátomo-patológico.

Depois que o diagnóstico do câncer de mama comprovado, a paciente deve ser submetida a alguns exames, como radiografia ou tomografia de tórax, ultra-sonografia ou tomografia de abdome e pelve, cintilografia óssea e exames de sangue. Outros exames podem ser indicados pelo médico. Essa etapa da avaliação é chamada estadiamento, ou seja, é o mapeamento da paciente e é de fundamental importância para planejamento do tratamento.

O tratamento do câncer de mama depende principalmente do tipo do tumor e do estágio de desenvolvimento da doença. O tratamento pode ser composto por diferentes modalidades, como cirugia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e drogas de alvo molecular.

Na maioria dos casos, a cirurgia é a primeira etapa do tratamento, podendo ser radical (mastectomia) ou conservadora (lumpectomia, quadrantectomia, setorectomia ou tumorectomia). Normalmente, a cirurgia é acompanhada pela avaliação dos linfonodos axilares. Em certos casos, alguns linfonodos axilares podem ser removidos para exame anátomo-patológico.

A radioterapia tem como objetivo reduzir a chance de recidiva local. Ela geralmente está indicada para as pacientes submetidas à cirurgia conservadora e pode ser usada em algumas mulheres submetidas à mastectomia. Para saber mais sobre a radioterapia, consulte a seção Tratamentos – Radioterapia.

A quimioterapia e a hormonioterapia são tratamentos sistêmicos, isto é, que agem por todo o corpo. A quimioterapia envolve uma série de medicamentos que podem ser combinados de maneiras diversas e são administrados de acordo com cada caso. Para saber mais sobre a quimioterapia, consulte a seção Tratamentos– Quimioterapia.

A hormonioterapia só está indicada na paciente cujo tumor expressa receptores hormonais. Nesses casos, o tratamento visa bloquear o estímulo hormonal que levaria ao crescimento do tumor. Para saber mais sobre a hormonioterapia, consulte a seção Tratamentos– Hormonioterapia.

Além disso, tratamentos mais específicos tem surgido nos últimos anos e podem ser usados, por exemplo, no combate a tumores que expressem a proteina HER-2. Esses tratamentos fazem parte do grupo de drogas de alvo molecular. Para saber mais sobre essas drogas, consulte a seção Tratamentos– Drogas de alvo molecular.

Para o acompanhamento da paciente após o tratamento adjuvante, ou seja, complementar a cirurgia, geralmente se recomenda a realização de exame físico a cada 3 a 6 meses nos primeiros 3 anos, a cada 6 a 12 meses no quarto e quinto anos e anualmente a partir de então. A mamografia costuma ser realizada no mínimo 6 meses após a radioterapia e, posteriormente, a cada 6 a 12 meses. Outros exames podem ser solicitados a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença. As recidivas podem ocorrer em locais próximos da mama operada, em linfonodos ou em outros órgãos. Em todas essas situações, o câncer de mama pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença já é diagnosticada numa fase em que já existem metástases em outros órgãos.

Finalmente, é importante ressaltar que, independente de ter tido câncer de mama, toda mulher deve considerar a realização do auto-exame das mamas e passar por exames ginecológicos de rotina, pelo menos uma vez ao ano.

Tumores de cabeça e pescoço

O termo câncer de cabeça e pescoço se refere a um conjunto de tumores que se originam na região da laringe, faringe, cavidade oral, cavidade nasal, seios da face e glândulas salivares. Nesse grupo, não estão habitualmente incluídos os tumores cerebrais, os linfomas e os tumores de tireóide e paratireóide.

O carcinoma epidermóide, que se origina da camada de células da mucosa que recobre essas áreas, é o tipo celular mais freqüente nos tumores dessa região.

O Brasil é um dos países com maior incidência de câncer de cabeça e pescoço, sendo que ela é a sexta causa de morte por câncer, quando somados os tumores de cavidade oral e de laringe. A incidência é bem maior nos homens do que nas mulheres, sendo a proporção cerca de 3 homens para cada mulher.

Os principais fatores de risco para o aparecimento desses tumores incluem:
• Uso do cigarro;
• Consumo de álcool;
• Infecção pelo papilomavírus humano (HPV)

O tabagismo sozinho é responsável por aproximadamente 50% dos casos.

O câncer de cabeça e pescoço se inicia com lesões pré-malignas de crescimento lento (leucoplasia, eritroplasia e carcinoma in situ), na maioria das vezes sem apresentar sinais ou sintomas associados. Após meses ou anos, essas lesões progridem e adquirem um perfil maligno e invasivo, de crescimento rápido, possuindo tendência a recidivas locais e comprometimento de linfonodos do pescoço. Apesar disso, esses tumores possuem uma tendência relativamente baixa para causar metástases a distância.

É importante lembrar que os pacientes que tiveram um câncer de cabeça e pescoço têm risco aumentado para o desenvolvimento de outros tumores envolvendo os sistemas respiratório e digestivo, incluindo os de pulmão, esôfago e até mesmo um segundo tumor primário na cabeça e pescoço. Isso ocorre devido à exposição de todas essas mucosas ao um fator de risco comum: os componentes do tabaco.

Nas fases iniciais da doença, muitos pacientes não apresentam sintomas, e a hipótese de câncer pode aparecer durante uma visita rotineira ao dentista ou ao clínico geral. Com o crescimento do tumor, sintomas relacionados com a presença e a localização do tumor aparecem.

Os sintomas mais comuns incluem:
• Dificuldade ou dor para engolir;
• Rouquidão;
• Tosse com sangue;
• Obstrução nasal;
• Aumento do tamanho dos linfonodos do pescoço;
• História de emagrecimento.

Deve-se ressaltar que esses sintomas podem ser comuns a outras doenças e que a presença deles não representa, necessariamente, diagnóstico de câncer.

Assim, o diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço nessa fase é baseado principalmente no exame físico, feito por cirurgião de cabeça e pescoço ou otorrinolaringologista, profissionais habilitados a realizarem exame complementares como endoscopias (nasofibroscopia e laringoscopia) das regiões anatômicas envolvidas.

Diante da suspeita de tumor de cabeça e pescoço, são úteis exames de imagem, tais como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética de cabeça e pescoço, e a radiografia simples de tórax. Além desses exames, o PET scan e o PET-CT também podem auxiliar no diagnóstico e seguimento da doença. No entanto, o tipo de tumor deve ser confirmado por exame anátomo-patológico de um fragmento obtido por biópsia, que pode ser realizada no consultório médico ou durante cirurgia ou procedimento endoscópico.

De maneira geral, o tratamento local é feito com cirurgia e/ou radioterapia, com associação a um tratamento sistêmico, utilizando quimioterapia ou drogas alvo moleculares, quando indicado. A cirurgia visa primariamente à retirada completa da lesão, mantendo uma margem de segurança de tecido normal, e dos linfonodos potencialmente comprometidos. A escolha da técnica cirúrgica é influenciada por aspectos funcionais e cosméticos envolvidos.

A radioterapia visa ao controle local da doença, podendo ser usada antes ou após a cirurgia, ou mesmo como substituição a ela, nos casos considerados inoperáveis.

Para saber mais sobre a radioterapia, consulte a seção Sobre os Tratamentos– Radioterapia.

A quimioterapia pode ser indicada com três objetivos diferentes: para aumentar a ação da radioterapia no controle local da doença, para reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia e para tratar metástases ainda invisíveis ou mesmo visíveis.

Para saber mais sobre a quimioterapia, consulte a seção Sobre os Tratamentos – Quimioterapia.

Em alguns casos, as drogas alvo moleculares podem ser indicadas com essas mesmas três finalidades.

Para saber mais sobre as drogas alvo moleculares, consulte a seção Sobre os Tratamentos – Drogas Alvo Moleculares.

É importante que pacientes com tumores de cabeça e pescoço realizem tratamento odontológico prévio ao início do tratamento e recebam suporte e acompanhamento nutricional durante todo o processo. Essas medidas podem reduzir o número de complicações associadas aos tratamentos e também diminuir o número de atrasos e interrupções de tratamento, que podem prejudicar o controle local da doença.

Da mesma forma, é importante que os pacientes se submetam a exames periódicos de acompanhamento, com intuito de detectar eventuais recidivas da doença ou mesmo a ocorrência de um segundo tumor primário

Câncer de canal anal

Tumores anais são aqueles que ocorrem na parte interna do ânus. Diferentemente do câncer colo-retal, o câncer de canal anal é raro, correspondendo apenas a 4% de todos os tipos de câncer que acometem o intestino grosso. Além disso, os tumores do canal anal são mais freqüentes no sexo feminino.

Esses tumores podem ser de diferentes tipos, mas o carcinoma epidermóide é mais frequente, ocorrendo em cerca de 98% dos casos.

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de canal anal estão:
• Idade superior a 50 anos;
• Infecção pelo papiloma vírus humano (HPV);

• Tabagismo;
• Presença de inflamações crônicas da região anal (secundárias a doenças como fístula anal, hemorróidas e doença inflamatória intestinal).

Os sintomas associados ao câncer de canal anal podem incluir:
• Coceira, dor ou ardor no ânus,
• Sangramento nas evacuações,
• Secreções incomuns no ânus,
• Presença de feridas ou nódulos na região perianal
• Alteração no hábito intestinal
• Incontinência fecal (impossibilidade para controlar a saída das fezes).

Entretanto, é importante ressaltar que outras doenças da região anal podem apresentar quadro clínico semelhante.

A avaliação do canal anal é frequentemente realizada através do exame proctológico, que inclui a realização de toque retal e de exames endoscópicos que permitam a inspeção do ânus e do reto (anuscopia e proctoscopia, respectivamente).

O diagnóstico de câncer será realizado através de biópsia de uma amostra do tecido do canal anal. Uma vez que o diagnóstico esteja estabelecido, exames adicionais como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética de pelve podem ser realizados para avaliar a extensão da doença.

Diferentes formas de tratamento estão disponíveis para os pacientes com câncer anal. A escolha do tratamento depende da extensão da doença. Em casos muito bem selecionados, a ressecção local do tumor permite a remoção da região afetada pelo câncer e preservação do músculo que controla a continência fecal.

Na maioria dos casos, contudo, tem sido empregada uma combinação de quimioterapia e radioterapia no tratamento do câncer anal. Quando empregada adequadamente, essa combinação pode oferecer boas taxas de cura, também permitindo a preservação do músculo anal.

Nos casos tratados com a combinação de quimioterapia e radioterapia, pode ser necessária a realização de novas biópsias para confirmar o desaparecimento do tumor, algumas semanas após o término do tratamento.

Para os pacientes que apresentam metástases, o tratamento de escolha é, em geral, a quimioterapia. A cisplatina e o fluorouracil estão entre as drogas mais utilizadas no tratamento do câncer de canal anal.

Tumores cerebrais

O cérebro possui diferentes tipos de células nervosas, os neurônios, que são responsáveis por diversas funções como sensibilidade, atividade motora, pensamento, memória, emoções e fala. Além dos neurônios, o cérebro e o restante do sistema nervoso é composto por células de sustentação e por diversos outros tipos de células e tecidos.

Os diversos tipos de células e tecidos que compõem o sistema nervoso podem dar origem a diferentes tipos de tumores. Os tipos mais comuns incluem os gliomas, meningiomas, adenomas de hipófise e linfomas do sistema nervoso central.

Em oncologia, usa-se o termo tumor cerebral como sinônimo de glioma, um dos subtipos de tumores. Os gliomas se originam a partir das células de sustentação do sistema nervoso, os astrócitos e oligodendrócitos. Assim, existem astrocitomas e oligodendrogliomas, bem como combinações desses dois tipos. Os gliomas podem ser menos agressivos, os chamados gliomas de baixo grau, ou mais agressivos, os de alto grau.

Os tumores cerebrais não são muito comuns, representando em torno de 1% dos tumores que acometem os adultos. No Brasil, não existem dados exatos sobre o número de casos existentes dos diversos tipos de tumores cerebrais. Pesquisas internacionais mostram que a incidência dos tumores de cérebro tem aumentado nos países desenvolvidos. Em países da Europa, as taxas de incidência cresceram entre 1950 e 1990, principalmente nos indivíduos mais idosos. Não se conhecem as causas desse aumento.

Os sinais e sintomas que indicam a possibilidade de tumor cerebral estão relacionados com a localização do tumor, o efeito que ela causa nas regiões vizinhas e o aumento da pressão intracraniana. O sinal mais comum é a dor de cabeça, que pode aparecer em intensidade variável.

Outros sintomas podem incluir:
• Vômitos;
• Alterações mentais como letargia ou sonolência constante;
• Confusão mental;
• Perda de visão;
• Perda de função de uma parte do corpo;
• Perda de sensibilidade;
• Crises convulsivas.

Deve-se ressaltar que esses sintomas podem ser comuns a outras doenças e que a presença deles não representa, necessariamente, diagnóstico de câncer.

Diante da suspeita de tumor cerebral, a ressonância magnética é o exame mais importante para determinar o tipo de tumor mais provável, de acordo com a localização e características. No entanto, o diagnóstico só poderá ser confirmado com a retirada de um fragmento do tumor para exame anátomo-patológico. Esse procedimento é chamado de biópsia e, no caso dos tumores cerebrais, pode ser guiada pela tomografia computadorizada ou feita durante uma neurocirurgia.

O primeiro passo para tratamento da maioria dos casos de tumores cerebrais envolve a retirada cirúrgica da maior quantidade possível de tecido tumoral. Alguns pacientes podem ser curados apenas com a retirada cirúrgica ou com a cirurgia combinada à radioterapia. No entanto, existem tumores que infiltram no tecido cerebral normal e,nesses casos, a cirurgia tem a função primordial de reduzir a pressão intracraniana. No caso de linfoma originário no sistema nervoso, a cirurgia está indicada apenas para biópsia e diagnóstico. O tratamento do linfoma está baseado em quimioterapia e radioterapia.

A radioterapia pode representar o tratamento curativo para alguns casos; em outros ela pode ser usada em combinação com outras modalidades e auxiliar no tratamento.

Em alguns casos, a quimioterapia pode ser indicada em conjunto com a radioterapia, ou mesmo de maneira isolada, conforme o tipo de tumor e o estágio da doença.

Medicações derivadas da cortisona, como a dexametasona, são freqüentemente prescritas para reduzir o edema que ocorre ao redor dos tumores. Essa medida auxilia no alivio da cefaléia e outros sintomas. Drogas anticonvulsivantes também podem ser indicadas para prevenção e tratamento de convulsões.

Tumores de colo uterino

O colo do útero (conhecido também como cérvix) é a parte inferior do útero que se comunica com o canal vaginal. O câncer de colo uterino se desenvolve quando o revestimento do colo se altera gradualmente de um estado normal para um estado pré-canceroso e, posteriormente, para um tumor maligno. Esse processo geralmente leva muitos anos, mas alguns casos evoluem em menos de 1 ano.

Aproximadamente 85 a 90% dos tumores de colo são do tipo carcinoma de células escamosas, originárias da superfície externa do colo. Os 10 a 15% restantes correspondem aos adenocarcinomas, que se originam nas células produtoras de muco presentes na parte interior do canal do colo uterino.

No Brasil, ainda são esperados mais de 18 mil novos casos de tumor de colo uterino entre as mulheres, principalmente a partir da faixa etária de 20 a 29 anos, com pico na faixa etária de 45 a 49 anos. Depois do câncer de mama, o tumor de colo uterino é o segundo câncer que mais atinge as mulheres no mundo. No Brasil, essa doença é considerada um importante problema de saúde pública.

A causa direta do câncer de colo uterino é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), transmitida através do ato sexual. Quase todos os casos da doença são devidos a um dos 15 tipos de HPV com potencial de causar câncer. Destes, os tipos mais comuns são o HPV-16 e o HPV-18. Outros fatores de risco para o aparecimento desse tumor são o tabagismo, a dieta pobre em vitaminas e doenças que levam à imunodeficiência (p.ex., a infecção pelo HIV).

No Brasil, recomenda-se que mulheres entre 25 e 59 anos realizem periodicamente o exame citopatológico, ou Papanicolaou, associado ao exame do colo do útero utilizando ácido acético ou lugol. Com isso, espera-se a detecção precoce da doença e redução de cerca de 80% da mortalidade por este câncer. Mais recentemente, foi aprovada a comercialização da primeira vacina desenvolvida para a prevenção da infecção por HPV, e seu uso poderá contribuir para o controle do câncer do colo do útero no futuro. O uso da vacina está indicado para mulheres antes do início da atividade sexual. São três doses da vacina.

Raramente, o câncer de colo uterino em fase pré-maligna ou mesmo inicial provoca algum sinal ou sintoma. Somente com a progressão da doença e invasão pelo tumor é que ocorrem sintomas como sangramentos fora do período menstrual, sangramentos ou dor durante e/ou após o ato sexual.

Além do exame citológico, o ginecologista geralmente realiza a colposcopia para um exame mais minucioso de áreas anormais, podendo assim retirar um fragmento mais adequado para exame anátomo-patológico e confirmação do diagnóstico. Exames de imagem também podem ser úteis em alguns casos para determinar a extensão da doença, podendo incluir a tomografia computadorizada ou ressonância magnética de pelve, cistoscopia, proctoscopia e urografia intravenosa.

O principal tratamento para o câncer de colo é a cirurgia. Lesões pré-cancerosas podem ser submetidas apenas a uma cauterização no consultório ginecológico. Lesões malignas são submetidas à conização (em doença precoce ou em mulheres que querem preservar a capacidade gestacional) ou a cirurgias maiores como a histerectomia, retirada de linfonodos e até de outros órgãos da pelve, se houver comprometimento pela doença.

A radioterapia externa combinada com braquiterapia pode ser utilizada como opção à cirurgia em algumas pacientes, ou ainda, funcionar como tratamento complementar após cirurgia de pacientes com doença mais avançada.

A quimioterapia, em geral combinada com a radioterapia, costuma ser indicada a pacientes com doença mais avançada, bem como àquelas que apresentam recidiva da doença após o tratamento inicial.

Câncer colo-retal

O câncer colo-retal é um tumor que pode se desenvolver no cólon, no reto ou nesses dois segmentos do intestino grosso. O cólon (a maior parte do intestino grosso) recebe as sobras do alimento digerido do intestino delgado e os elimina na forma de fezes, que passam pelo reto e, no momento da evacuação, pelo canal anal. O tipo mais comum de câncer colo-retal é o adenocarcinoma, originário das células que revestem o cólon e o reto.

O câncer colo-retal é um tumor frequente, sendo considerado a terceira causa de câncer no mundo. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, estimamse aproximadamente 27.000 novos de câncer de cólon e reto anualmente. Homens e mulheres são igualmente afetados pela doença.

A causa do câncer colo-retal ainda não é conhecida, mas acredita-se que muitos desses tumores desenvolvam-se a partir de lesões benignas chamadas pólipos. Indivíduos com determinados fatores de risco apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença. Os principais fatores de risco para o câncer colo retal são:

• Idade acima de 50 anos
• História familiar de câncer colo-retal
• Algumas condições hereditárias (polipose adenomatosa familiar e qualquer um dos vários tipos de câncer colo-retal hereditário)
• Doenças inflamatórias intestinais (como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn)
• Dieta com alto conteúdo de gordura animal e carne, e baixo conteúdo de fibras e de cálcio
• Obesidade
• Sedentarismo

Os sintomas de câncer colo-retal são numerosos, inespecíficos e variam conforme a localização do tumor. Muitas vezes, tumores localizados na porção direita do intestino grosso (também chamada de ceco) desenvolvem-se sem produzir muitos sintomas. Nestes casos, o quadro clínico pode ser decorrente da anemia devida à perda crônica de sangue, levando a tontura, cansaço e palpitação. Quanto mais próximo do ânus estiver o tumor, maior a freqüência de sintomas intestinais. Esses sintomas podem incluir:

• Alteração do hábito intestinal (tanto para diarréia como para constipação);
• Dor abdominal;
• Alteração na aparência das fezes (presença de coágulos, sangue e muco misturados às fezes);
• Diminuição no calibre das fezes;
• Sensação de evacuação incompleta.

Deve-se ressaltar que pacientes com doenças benignas do cólon e do reto também podem apresentar os mesmos sintomas.

A investigação de doenças do cólon e do reto, incluindo o câncer, pode incluir a realização de um exame radiológico com uso de contraste (enema opaco) ou de uma endoscopia especial, a colonoscopia. Nos casos de câncer, esses exames podem determinar sua localização no intestino e permitir a biópsia para confirmar a presença da lesão maligna.

Como em outros tipos de tumor, o diagnóstico do câncer colo-retal é baseado no exame anátomo-patológico de um fragmento de tecido obtido por biópsia durante a colonoscopia. Uma vez que o diagnóstico esteja estabelecido, exames adicionais,como a radiografia de tórax e a ultra-sonografia ou a tomografia computadorizada de abdome, podem ser realizados para avaliar a extensão da doença. A dosagem no sangue do marcador tumoral denominado antígeno carcinoembriônico (CEA, sigla em inglês) também pode fazer parte da avaliação dos pacientes com câncer colo-retal.

O tratamento do câncer colo-retal é adaptado de acordo com a localização e a extensão do tumor, bem como com características clínicas do paciente.

A ressecção cirúrgica pode ser indicada para alguns pacientes com câncer colo-retal. A cirurgia pode ser localizada, sendo realizada através de colonoscopia, ou pode envolver a retirada de porções variáveis do intestino grosso ou do reto, assim como de tecidos adjacentes a esses órgãos, inclusive os linfonodos.

No caso de tumores de cólon, a quimioterapia pode ser indicada após a cirurgia, para diminuir o risco de recidiva da doença. Nesses casos, o tratamento é chamado de adjuvante e é empregado nos casos em que houve disseminação da doença para os linfonodos ou quando há maior risco para essa disseminação.

No caso de tumores de reto, a radioterapia e a quimioterapia podem ser indicadas em conjunto antes ou após a cirurgia, para diminuir o risco de recidiva da doença. Quando aplicado antes da cirurgia, o tratamento é chamado de neoadjuvante. Quando aplicado após, o tratamento é chamado de adjuvante.

Em casos de câncer colo-retal em que o paciente não é candidato à cirurgia, o tratamento é geralmente feito com quimioterapia e/ou drogas alvo moleculares. Nesses casos, a escolha do tratamento sistêmico independe da localização do tumor primário. Por outro lado, em casos especiais pode ser necessária a indicação de radioterapia para controle local do tumor primário ou de uma metástase.

Para o acompanhamento após o tratamento, geralmente se recomenda a realização periódica de exame físico e exames complementares, que podem incluir colonoscopia, radiografia de tórax, tomografia e outros, a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença. As recidivas podem ocorrer em locais próximos da lesão inicial, em linfonodos ou em outros órgãos. Em todas essas situações, o câncer colo-retal pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença é diagnosticada primariamente com acometimento de outros órgãos (as chamadas metástases).

Por fim, deve-se lembrar que o câncer colo-retal é passível de diagnóstico precoce por meio de exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes, enema opaco, colonoscopia e colonoscopia por tomografia. Um ou mais desses exames devem ser feitos de maneira rotineira e periódica por todas as pessoas com idade superior a 50 anos. Além disso, parentes de pessoas com câncer colo-retal e indivíduos com outras doenças do intestino grosso devem ser submetidos a esses exames até mesmo em idades mais precoces.

Câncer de esôfago

O esôfago é um tubo músculo-membranoso, longo e delgado, que comunica a faringe ao estômago. Através de contrações musculares, o esôfago permite a passagem de alimento ou líquido ingerido até o estômago.

O câncer de esôfago surge no tecido que reveste internamente o órgão. O tipo mais frequente é o carcinoma epidermóide, responsável por cerca de metade dos casos. Esse tipo também pode ser chamado de carcinoma escamoso ou carcinoma espinocelular, sendo ainda identificado através da sigla para este último termo (CEC).

O adenocarcinoma, segundo tipo mais freqüente de câncer de esôfago, teve um aumento significativo na sua incidência principalmente em indivíduos com inflamação crônica do esôfago (esofagite).

O câncer de esôfago apresenta uma alta taxa de incidência em países asiáticos como China, Japão e Cingapura. No Brasil, estima-se que sejam diagnosticados aproximadamente 10 mil novos casos de câncer de esôfago a cada ano, sendo cerca de 80% desses casos em homens e 20% em mulheres. O câncer de esôfago é o oitavo câncer mais frequente na população brasileira, excluído o câncer de pele.

O câncer de esôfago geralmente está associado ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas. Outras condições predisponentes para o aparecimento desse tumor podem ser a presença de inflamação crônica do órgão, lesões cáusticas do esôfago, anemia por deficiência de ferro, agentes infecciosos (papiloma vírus humano - HPV) e história pessoal de câncer de cabeça e pescoço.

Na sua fase inicial, o câncer de esôfago habitualmente não apresenta sintomas. Muitos dos sintomas apresentados por pacientes com câncer de esôfago são inespecíficos e comuns a outras doenças. Entre os possíveis sintomas estão:

• Dificuldade ou dor ao engolir
• Azia
• Dor atrás do osso esterno
• Sensação de obstrução à passagem do alimento
• Náuseas e vômitos
• Rouquidão e tosse • Perda do apetite.
• Perda de peso, que pode chegar até 10% do peso corporal

Os sintomas de câncer colo-retal são numerosos, inespecíficos e variam conforme a localização do tumor. Muitas vezes, tumores localizados na porção direita do intestino grosso (também chamada de ceco) desenvolvem-se sem produzir muitos sintomas. Nestes casos, o quadro clínico pode ser decorrente da anemia devida à perda crônica de sangue, levando a tontura, cansaço e palpitação. Quanto mais próximo do ânus estiver o tumor, maior a freqüência de sintomas intestinais. Esses sintomas podem incluir:

• Alteração do hábito intestinal (tanto para diarréia como para constipação);
• Dor abdominal;
• Alteração na aparência das fezes (presença de coágulos, sangue e muco misturados às fezes);
• Diminuição no calibre das fezes;
• Sensação de evacuação incompleta.

O câncer de esôfago pode ser descoberto através de radiografia com uso de contraste. Contudo, o diagnóstico é mais freqüentemente realizado através de uma endoscopia digestiva. Esse exame consiste da passagem, pela boca, de um tubo que contém uma micro-câmera. O tubo passa pela garganta e segue até o esôfago, permitindo a avaliação visual direta da lesão e a realização de biópsia.

Como em outros tipos de tumor, o diagnóstico do câncer esofágico é baseado no exame anátomo-patológico, a partir de um fragmento de tecido obtido por biópsia durante a endoscopia. Após a confirmação da presença do tumor, é necessária a realização de exames para avaliar a extensão do tumor, ou seja, o estadiamento da doença. Esses exames geralmente incluem a tomografia computadorizada de tórax e de abdome. Podem ainda ser realizadas a broncoscopia e a ultra-sonografia endoscópica.

Em geral, o câncer de esôfago é tratado através de cirurgia. Em alguns casos, a quimioterapia e/ou a radioterapia podem ser realizadas antes de cirurgia para diminuir o tamanho do tumor e facilitar a realização da operação. Nesses casos, diz-se que o tratamento é neo-adjuvante. Em outras situações, a quimioterapia e/ou a radioterapia podem ser realizadas após a cirurgia, para diminuir o risco de recidiva da doença. Nesses casos, o tratamento é chamado de adjuvante. Existem ainda casos em que a cirurgia não está indicada, sendo o tratamento realizado com quimioterapia e/ou radioterapia.

O tratamento cirúrgico do câncer de esôfago consiste na remoção de parte do órgão. A porção do esôfago remanescente pode ser reconectada ao estômago diretamente ou, quando isto não é possível, utilizando-se um segmento de intestino. Em alguns casos, para facilitar a deglutição, podem ser realizadas dilatações do esôfago e/ou colocação de próteses auto-expansivas no interior do órgão, através de endoscopia.

Para o acompanhamento após o tratamento, geralmente se recomenda a realização de exame físico periódico. Além disso, o acompanhamento pode incluir exames complementares, como endoscopia, radiografia de tórax, tomografia e outros, a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença. As recidivas podem ocorrer em locais próximos da lesão inicial, em linfonodos ou em outros órgãos. Em todas essas situações, o câncer de esôfago pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença é diagnosticada numa fase em que existe comprometimento de outros órgãos.

Câncer de estômago

No câncer de estômago, também denominado câncer gástrico, a maioria dos tumores (95% dos casos) é do tipo adenocarcinoma, originado em células que revestem a parte interna do órgão. Outros tipos mais raros de câncer gástrico incluem o linfoma, o leiomiossarcoma (atualmente classificado como GIST, ou tumor estromal gastrintestinal) e o tumor carcinóide.

Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos, e a doença é mais freqüente em homens do que em mulheres. O maior número de casos de câncer de estômago ocorre no Japão, em outros países asiáticos e no Chile. No resto do mundo, dados estatísticos revelam um declínio da incidência do câncer gástrico, especificamente nos Estados Unidos, Inglaterra e em outros países mais desenvolvidos. No Brasil, estimam-se cerca de 14.000 novos casos anuais entre homens e 7.000 entre as mulheres.

Muitos dos sintomas apresentados por pacientes com câncer de estômago são inespecíficos e comuns a outras doenças. Entre os possíveis sintomas estão:

• Perda de peso
• Cansaço
• Falta de apetite
• Náuseas e vômitos
• Sensação de má digestão, azia e desconforto abdominal persistente.

Pacientes com doenças benignas do estômago, como gastrite e úlceras pépticas, também podem apresentar os mesmos sintomas.

Diante da suspeita de câncer de estômago, dois exames estão entre os mais frequentemente utilizados para o diagnóstico da doença: a endoscopia digestiva alta e a radiografia do estômago com contraste. A endoscopia permite a avaliação visual direta da lesão e a realização de biópsias para confirmação do diagnóstico.

Como em outros tipos de tumor, o diagnóstico do câncer gástrico é baseado no exame anátomo-patológico, a partir de um fragmento de tecido obtido por biópsia durante a endoscopia. O exame anátomo-patológico também pode ser feito a partir de fragmentos removidos após uma cirurgia do estômago. Após a confirmação patológica da presença do tumor, é importante que se façam os exames para estadiamento. Estes exames podem variar, mas comumente incluem a tomografia computadorizada de abdome e pelve, a radiografia simples (ou tomografia) de tórax e diversos exames de sangue.

O tratamento do câncer de estômago é adaptado de acordo com o tamanho, localização e extensão do tumor. Em alguns casos, a ressecção cirúrgica é o tratamento indicado para pacientes com câncer gástrico. Na cirurgia, podem ser retiradas porções variáveis do estômago e de tecidos adjacentes ao órgão, incluindo os linfonodos.

Após a cirurgia, a quimioterapia e/ou a radioterapia podem ser indicadas, para diminuir o risco de recaída da doença. Nesses casos, o tratamento é chamado de adjuvante.

Em casos em que o paciente não é candidato à cirurgia, o tratamento do câncer gástrico pode ser feito com quimioterapia e/ou radioterapia. Em alguns desses casos, o pacientes pode se tornar candidato à cirurgia após o tratamento inicial com quimioterapia e/ou radioterapia.

Para o acompanhamento após o tratamento, geralmente se recomenda a realização periódica de exame físico e exames complementares, que podem incluir endoscopia, radiografia de tórax, tomografia e outros, a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recaídas da doença. As recaídas podem ocorrer em locais próximos da lesão inicial, em linfonodos ou em outros órgãos. Em todas essas situações, o câncer de esôfago pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença é diagnosticada primariamente com acometimento de outros órgãos.

Câncer de fígado

O câncer de fígado, também denominado hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocecular, é um tumor maligno que se origina no principal tipo de célula presente no fígado, o hepatócito. Outros tumores malignos mais raros e que se originam no fígado incluem o colangiocarcinoma, o angiossarcoma e, na criança, o hepatoblastoma.

A incidência do câncer de fígado está aumentando ao redor do mundo. O sudeste da Ásia, Japão e África do Sul apresentam uma incidência particularmente alta de câncer de fígado. No Brasil, o câncer de fígado não se encontra entre os 10 tumores mais frequentes na população.

O câncer de fígado ocorre com maior freqüência no sexo masculino e em pacientes entre a sexta e sétima décadas de vida. Todavia, nas áreas de grande incidência, o tumor pode ocorrer em pacientes mais jovens, entre a terceira e a quinta década de vida. Nos pacientes mais jovens, o hepatocarcinoma pode ser de um tipo especial, denominado fibrolamelar, que é menos agressivo do que o hepatocarcinoma convencional.

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de fígado são a hepatite viral (especialmente a hepatite B e a hepatite C) e a cirrose associada ao alcoolismo. Outros fatores de risco incluem a esquistossomose, algumas doenças hereditárias que acometem o fígado e a exposição a aflotoxinas. A exposição a esta substância cancerígena pode ocorrer pela ingestão de alimentos contaminados por espécies de certo fungo, denominado Aspegillus flavus.

O paciente com câncer de fígado pode não sentir nada nas fases iniciais da doença. Por esse motivo, muitas vezes o câncer de fígado é descoberto durante a realização de exames de rotina. Quando sintomas estão presentes, eles podem incluir:

• Perda de apetite
• Emagrecimento
• Dor abdominal (especialmente na região superior direita do abdômen)
• Aumento do tamanho do fígado
• Ascite (acúmulo anormal de líquido em torno dos órgãos abdominais)
• Icterícia (coloração amarelada de pele e mucosas)

Deve-se ressaltar que esses sintomas podem ser comuns a outras doenças e que a presença deles não representa, necessariamente, diagnóstico de câncer.

O diagnóstico do câncer de fígado é frequentemente realizado através de diferentes tipos de exames de imagem, como a ultra-sonografia hepática ou a tomografia computadorizada e a ressonância magnética de adome. Em alguns casos, não há necessidade de realização de biópsia, desde que os exames de imagem sejam muito sugestivos e desde que haja elavação do marcador denominado alfa-fetoproteína. Esse marcador está aumentado na grande maioria dos pacientes, mas pode ser normal em raros casos e também naqueles em que o hepatocarcinoma é do tipo fibrolamelar. Exames de sangue também são importantes durante a avaliação do paciente com câncer de fígado, já que a maioria desses pacientes apresenta alguma anormalidade dos níveis de bilirrubinas, fosfatase alcalina e transaminases.

Nos eventuais casos em que os exames de imagem não são capazes de determinar se uma lesão hepática é benigna ou maligna, pode ser necessária a realização de uma biópsia.

O tratamento do câncer de fígado é variado e pode envolver o uso de diferentes modalidades terapêuticas. O tratamento cirúrgico, quando indicado, pode consistir da ressecção do tumor ou na realização de um transplante hepático. No transplante hepático, o fígado do paciente é removido por inteiro e substituído por outro, proveniente de um doador. A opção pelo tratamento cirúrgico depende da localização do tumor no fígado, do tamanho da lesão, da presença de cirrose ou de metástses e das condições clínicas do paciente.

Outras formas de tratamento do câncer hepático envolvem técnicas que objetivam a destruição local do tumor. Essas técnicas são chamadas de ablação local do tumor e englobam a administração, diretamente no interior do tumor, de quimioterapia (quimioterapia intra-arterial), corrente elétrica (radiofreqüência), etanol (alcoolização), ou ainda a combinação de quimioterapia com uma substância oclusiva de vasos sanguíneos (quimioembolização).

Para o acompanhamento após o tratamento, geralmente se recomenda a realização periódica de exame físico e exames complementares, que podem incluir a ultrasonografia, a tomografia, a ressonância magnética e outros, a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença, que podem ocorrer no próprio fígado ou em outros órgãos. Nessas situações, o câncer de fígado pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença é diagnosticada primariamente com acometimento de outros órgãos.

Recentemente, as drogas alvo moleculares têm sido utilizadas para o tratamento de determinadas apresentações do câncer de fígado, com resultados superiores aos anteriormente obtidos com a quimioterapia. Esses novos medicamentos representam um grande avanço no tratamento da doença, especialmente nos casos de acometimentos de outros órgãos, além do fígado.

Leucemias

O termo leucemia é usado para representar dezenas de doenças que têm em comum a proliferação de células da medula óssea de maneira desordenada e exagerada. Em outras palavras, as leucemias são tumores primários da medula óssea.

Existem vários tipos de leucemias, que são classificadas conforme a origem e o grau de diferenciação das células leucêmicas. Os quatro tipos de leucemias mais comuns são a leucemia linfocítica (ou linfóide) crônica ou LLC , a leucemia mielóide crônica ou LMC, a leucemia mielóide aguda ou LMA, e a leucemia linfoblástica (ou linfóide) aguda ou LLA. Cada um desses quatro tipos é ainda dividido em vários subtipos. Além disso, existem outros tipos mais raros de leucemias ou de tumores primários da medula óssea.

Não se conhece ao certo a incidência de todos os tipos de leucemias no Brasil, mas as leucemias como um todo estão entre os 10 tipos de tumores mais frequentes em nosso país. Em adultos, a incidência das leucemias aumenta com a idade.

Um paciente com leucemia pode não sentir nada, algo mais frequente no caso da LLC e da LMC. Nesses casos, o diagnóstico da leucemia é feito após um exame de sangue. Por outro lado, é comum que o paciente com leucemia apresente sintomas, que podem ser decorrentes da própria presença das células leucêmicas no organismo ou pela falta de produção das células normais da medula óssea, que fica comprometida pela presença da leucemia nesse órgão. Entre os sintomas mais comuns estão aqueles decorrentes da anemia, da plaquetopenia e da neutropenia.

Diante da suspeita de leucemia, o exame de sangue (hemograma) e da medula óssea (mielograma e/ou biópsia da medula) são essenciais para o diagnóstico correto. O mielograma consiste em uma punção sob anestesia local de um dos ossos produtores de sangue, tais como o osso esterno ou o osso da bacia (ilíaco). A biópsia de medula óssea é feita pelo osso ilíaco, também com anestesia local. Outros exames que podem ser necessários são a tomografia computadorizada, a análise do líquor (o líquido que envolve a medula espinhal) e diversos outros exames de sangue.

O tratamento para as leucemias tem evoluído muito ao longo do tempo. Historicamente, esse grupo de doenças sempre esteve entre os mais responsivos ao tratamento quimioterápico. O tipo e a intensidade da quimioterapia dependem do tipo de leucemia, da idade do paciente e dos tratamentos por ele recebidos anteriormente. Além disso, vêm surgindo novas formas de tratamento mais específico do que a quimioterapia, sendo esses tratamentos empregados conforme o tipo de leucemia. Por fim, o transplante de medula óssea (autólogo ou alogênico) pode ser indicado para alguns pacientes, seja como parte do tratamento inicial, seja nos casos em que a leucemia volta a entrar em atividade.

Linfomas e mieloma múltiplo

O termo linfoma engloba diversas doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células do sistema imunológico. Esse sistema inclui os linfonodos, o baço, o timo, as amígdalas, a medula óssea e tecidos linfáticos intestinais e pulmonares. Outro tumor que se origina de um tipo de célula presente na medula óssea, o plasmócito, é o mieloma múltiplo.

Existem vários tipos de linfomas, que são classificados conforme a célula que lhes dá origem e o padrão de agressividade. Os dois grandes grupos de linfomas são os linfomas de Hodgkin e os linfomas não-Hodgkin. Os linfomas de Hodgkin atingem principalmente os linfonodos e são um pouco mais comuns em adultos jovens ou indivíduos mais idosos.

Os linfomas não-Hodgkin se originam de alguns tipos de linfócitos, as células B, T e NK, e possuem grandes diferenças em suas formas clínicas, prognóstico e resposta ao tratamento. Os linfomas não-Hodgkin são mais freqüentes que os linfomas de Hodgkin, e sua incidência vem aumentando devido à associação com a infecção pelo HIV e também por causas ainda incertas.

Os diversos tipos de linfomas não-Hodgkin são agrupados em dois grandes grupos, no que diz respeito à rapidez com que evolui a doença e também aos tipos de células presentes no linfoma: os linfomas indolentes e os linfomas agressivos.

Não se conhece ao certo a incidência de todos os tipos de linfomas ou do mieloma múltiplo no Brasil. No entanto, os linfomas e o mieloma múltiplo estão entre os tumores hematológicos mais frequentes.

Os sintomas classicamente atribuídos ao linfoma de Hodgkin incluem:

• Febre intermitente;
• Falta de apetite;
• Fadiga;
• Náusea;
• Suor noturno;
• Perda de peso;
• Prurido

A evolução da doença, que pode depender um pouco de seu subtipo, é relativamente previsível, com progressão sequencial ao longo das cadeias de linfonodos, mais comumente com início no pescoço e mediastino, a região do organismo situada entre os pulmões e acima do coração.

Os linfomas não-Hodgkin provocam sintomas de acordo com a localização do tumor. O acometimento abdominal pode levar a dor, vômito e diarréia, sangramentos, massa palpável, e aumento de fígado e baço, entre outros. Quando acometem o pescoço, provocam aumento dos linfonodos.

No mieloma múltiplo, os plasmócitos em crescimento descontrolado produzem um tipo de imunoglobulina em excesso, que pode ser detectada no sangue ou na urina do paciente. O mieloma múltiplo é uma doença com grande variação de sintomas e de sua agressividade. De maneira geral, a doença se infiltra na medula óssea e causa lesões nos ossos, que podem levar a dor, fraturas e compressão da medula espinhal se atingir uma vértebra. Outras manifestações da doença incluem anemia, insuficiência renal e aumento dos níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia).

O diagnóstico dos linfomas é feito através da biópsia de linfonodo ou de outro tecido afetado pela doença; para se determinar o estágio da doença, há necessidade de biópsia de medula óssea, tomografia computadorizada de diversas regiões do organismo, ou Pet-CT.

O diagnóstico do mieloma múltiplo pode ser feito por mielograma e biópsia da medula óssea, eletroforese de proteínas e/ou de imunoglobulinas no sangue e/ou na urina, imunofixação, radiografias simples de ossos e ressonância nuclear magnética de coluna ou outros ossos.

A cirurgia tem papel limitado, sendo indicada em alguns casos para auxiliar no diagnóstico dos linfomas. Essas doenças geralmente necessitam de tratamento quimioterápico com associação de várias drogas, com ou sem radioterapia.

O tratamento dos linfomas não-Hodgkin pode ser feito com radioterapia exclusiva em alguns casos, mas é cada vez mais freqüente o emprego da quimioterapia, que é capaz de curar muitos pacientes.

Mais recentemente, as drogas alvo moleculares vêm integrando o tratamento de alguns pacientes, em especial nos linfomas difusos de grandes células e nos linfomas foliculares, os dois tipos mais freqüentes de linfomas não-Hodgkin. Da mesma forma as drogas alvo moleculares vêm sendo usadas no tratamento do mieloma múltiplo, que evoluiu muito ao longo dos últimos anos.

No mieloma múltiplo, exceto em raros casos, a radioterapia e a quimioterapia devem ser evitadas antes de se determinar se o paciente pode se beneficiar do transplante autólogo de medula óssea, porque essas modalidades podem comprometer a capacidade futura de colher quantidade de células suficiente para o transplante.

Câncer de pâncreas

O pâncreas é uma glândula endócrina e exócrina do sistema digestivo que se localiza na porção superior do abdome, atrás do estômago. Sua função exócrina consiste em produzir enzimas que atuam na digestão dos alimentos, enquanto sua função endócrina é exercida pela produção de insulina e outros hormônios que regulam o nível de glicose no sangue e o metabolismo geral do organismo.

O tipo mais comum de câncer de pâncreas é o adenocarcinoma, que ocorre em 90% dos casos. Mais raramente, o pâncreas pode dar origem a outros tipos de tumores, entre eles os de natureza endócrina. Quando se fala em câncer de pâncreas, entretanto, em geral se está referindo ao adenocarcinoma, que é mais comumente localizado no lado direito do órgão, conhecido como cabeça; as porções central, (corpo) e esquerda (cauda) são menos comumente afetadas.

O câncer de pâncreas é mais comum em homens, e são raros os casos que ocorrem antes dos 30 anos de idade. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são:

• Idade > 50 anos;
• Tabagismo;
• Pancreatite crônica (inflamação crônica do pâncreas);
• Antecedente de cirurgia para úlcera no estômago;
• Dietas ricas em carne vermelha e/ou gorduras;
• Doenças genéticas raras, tais como a pancreatite hereditári;
• História de diabetes mellitus.

Em razão de sua localização na cavidade abdominal profunda, o câncer de pâncreas desenvolve-se, muitas vezes, sem sintomas. Quando os sintomas aparecem, geralmente são inespecíficos e comuns a outras doenças. Além disso, o quadro clínico da doença pode variar conforme a região do pâncreas acometida pelo tumor. Alguns sintomas que podem ser observados em câncer de pâncreas incluem:

• Falta de apetite;
• Perda de peso;
• Fraqueza;
• Dor, que pode ser sentida no abdome, nas costas ou em ambos;
• Diarréia;
• Icterícia (coloração amarelada de pele e mucosas)
• Depressão

Uma vez que haja suspeita da presença de câncer de pâncreas, exames de laboratório e de imagem serão realizados para confirmar o diagnóstico. Exames de sangue que avaliam a função do fígado fazem parte da rotina de investigação de tumores pancreáticos. Esses exames incluem a dosagem dos níveis de bilirrubinas, transaminases e fosfatase alcalina. O CA 19-9 é um marcador tumoral que pode ser dosado no sangue e que pode se encontrar elevado em cerca de 90% dos pacientes com câncer de pâncreas.

Os exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética de abdome, podem ser realizados com a finalidade de estabelecer a localização do tumor no pâncreas e avaliar a presença de acometimento de linfonodos e/ou de outros órgãos. Em muitos casos, é realizada uma biópsia para confirmação anátomo-patológica da doença.

O tratamento do câncer de pâncreas é adaptado de acordo com o tamanho, localização e extensão do tumor. Em uma parcela relativamente pequena dos casos, a ressecção cirúrgica é o tratamento indicado para pacientes com câncer de pâncreas. Na cirurgia, podem ser retiradas porções variáveis do pâncreas e de outros órgãos adjacentes, como a vesícula biliar, o intestino delgado e o baço.

Ocasionalmente, a quimioterapia e/ou a radioterapia podem ser realizadas antes da cirurgia para diminuir o tamanho do tumor e facilitar a realização da operação. Nesses casos, diz-se que o tratamento é neo-adjuvante. Em outras situações, a quimioterapia e/ou a radioterapia podem ser realizadas após a cirurgia, para diminuir o risco de recidiva da doença. Nesses casos, o tratamento é chamado de adjuvante. Existem ainda casos em que a cirurgia não está indicada, sendo o tratamento realizado com quimioterapia e/ou radioterapia. Além disso, drogas alvo moleculares vêm sendo pesquisadas.

Finalmente, existem algumas situações em que se pode indicar algum tipo de procedimento cirúrgico com o objetivo de minimizar os sintomas do câncer de pâncreas, como a icterícia e, eventualmente, a dor abdominal.

Para o acompanhamento após o tratamento, geralmente se recomenda a realização periódica de exame físico e exames complementares, que podem incluir endoscopia, radiografia de tórax, tomografia de abdome e outros, a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença. As recidivas podem ocorrer em locais próximos da lesão inicial, em linfonodos ou em outros órgãos. Em todas essas situações, o câncer de pâncreas pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença é diagnosticada primariamente com acometimento de outros órgãos.

Câncer de próstata

O câncer de próstata afeta somente homens, uma vez que a próstata é uma glândula que faz parte exclusivamente do aparelho reprodutor masculino. A próstata encontrase localizada à frente do reto, abaixo da bexiga e ao redor da porção inicial da uretra. Sua função é produzir parte do fluido seminal que, juntamente com os espermatozóides, compõe o sêmen.

Atualmente, o câncer de próstata é a neoplasia mais frequente no sexo masculino, tanto no Brasil quanto nos EUA. O aumento observado nas taxas de incidência pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento da expectativa de vida da população.

Assim como em outros tipos de câncer, a idade é um fator de risco importante, sendo a incidência progressivamente mais alta após a idade de 50 anos. Além disso, história familiar de pai ou irmão com câncer da próstata antes dos 60 anos de idade pode aumentar o risco de câncer em 3 a 10 vezes em relação à população em geral. Esse aumento pode refletir tanto fatores hereditários quanto hábitos alimentares de algumas famílias e, nesses casos, o câncer de próstata pode ser detactado até mesmo antes dos 50 anos de idade.

O câncer da próstata em sua fase inicial tem uma evolução silenciosa. A maioria dos pacientes não apresenta nenhum sintoma até fases muito avançadas da doença, motivo pelo qual o exame para detecção precoce é muito importante. Nos pacientes com sintomas, eles podem ser semelhantes àqueles associados ao crescimento benigno da próstata, tais como:

• Dificuldade para urinar;
• Gotejamento final prolongado;
• Dor ou ardor para urinar;
• Freqüência urinária aumentada durante o dia ou à noite.

Fases mais avançadas da doença podem ser caracterizadas por sangramento na urina ou no esperma, dor óssea, retenção urinária e, em situações mais graves, insuficiência renal.

O diagnóstico do câncer de próstata é feito pelo exame clínico (toque retal) e pela dosagem no sangue de uma enzima produzida pela próstata, o antígeno prostático específico (PSA, sigla em inglês). Alterações ao toque retal (presença de nódulos, áreas endurecidas ou irregulares) e elevações do PSA podem sugerir a existência da doença.

Diante da suspeita de câncer de próstata, geralmente é indicada uma biópsia através de ultrassonografia transretal para confirmação diagnóstica. Uma vez que o diagnóstico esteja estabelecido, exames adicionais como a cintilografia óssea, a tomografia computadorizada de pelve e a radiografia simples de tórax podem ser realizados para avaliar a extensão da doença no organismo.

O tratamento do câncer da próstata depende do estágio da doença. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após a discussão dos riscos e benefícios de cada modalidade terapêutica entre o paciente e seu médico.

Em casos selecionados, a cirurgia, a radioterapia e a braquiterapia podem ser utilizadas de forma isolada, com boas taxas de cura. Em casos selecionados, até mesmo uma observação cuidadosa pode levar ao controle da doença por longos períodos.

Em alguns casos de pacientes submetidos a cirurgia, pode ser necessária a administração de radioterapia pós-operatória, para diminuição do risco de recidiva da doença.

Em outros casos de pacientes submetidos a cirurgia, a hormonioterapia pode ser administrada após a remoção da próstata, também para diminuição do risco de recidiva da doença.

Em certos casos de pacientes submetidos à radioterapia, a hormonioterapia pode ser utilizada antes, durante e/ou após o tratamento, sempre com o objetivo final de diminuir o risco de recidiva da doença.

Para o acompanhamento após o tratamento, geralmente se recomenda a realização periódica de exame físico e exames complementares, que podem incluir a dosagem de PSA e outros, a critério do médico.

A realização do acompanhamento é importante, pois pode detectar precocemente eventuais recidivas da doença. Essas recidiva podem ocorrer em locais próximos da lesão inicial, em linfonodos ou em outros órgãos, mais comumente os ossos. Algumas vezes, a recidiva do câncer de próstata não é visível em nenhuma dessas localizações, sendo diagnosticada apenas pela elevação seqüencial e progressiva do PSA.

Em todas essas situações, o câncer de próstata pode ser tratado, com uma ou mais das modalidades citadas anteriormente. O mesmo vale para os casos em que a doença é diagnosticada primariamente com acometimento de outros órgãos.

A quimioterapia também tem sido utilizada para o tratamento do câncer de próstata. Contudo, esse tratamento tem sido reservado apenas para os casos com acometimento de outros órgãos e nos quais a hormonioterapia isolada já tenha sido empregada.

Câncer de pulmão

O câncer de pulmão é a neoplasia mais comum em todo o mundo. No Brasil, são estimados cerca de 27.000 casos da doença a cada ano. O fumo é o seu principal fator de risco, e pessoas que fumam têm chance 15 a 20 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão do que os não fumantes. Além disso, o fumo passivo é fator de risco para a doença, cuja incidência seria reduzida em cerca de 90% se a exposição ao tabaco fosse abolida no mundo.

Existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de células não-pequenas. O carcinoma de células não-pequenas corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células.

A maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório, tais como:

• Tosse;
• Falta de ar;
• Escarro com sangue;
• Dor no peito.

Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos (cerca de 15%), o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos.

Os exames iniciais para o diagnóstico do câncer de pulmão são a radiografia e a tomografia computadorizada de tórax. Em seguida, o diagnóstico precisa ser confirmado com biópsia, que pode ser feita por broncoscopia (exame em que um tubo fino com uma câmera penetra pelas vias aéreas) ou por cirurgia. Quando o resultado do exame anátomo-patológico comprova o diagnóstico de câncer de pulmão, são realizados outros exames para saber qual o estágio da doença. O estadiamento pode incluir exames de sangue, tomografia computadorizada do abdome, cintilografia óssea e ressonância magnética do cérebro. O Pet-CT também é útil no estadiamento do Câncer de Pulmão.

O tratamento do câncer de pulmão se baseia em três modalidades: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Sempre que possível, a cirurgia é realizada na tentativa de se retirar uma parte do pulmão acometido ou o pulmão inteiro. A indicação da cirurgia depende principalmente do tipo, do tamanho e da localização do tumor, além do estado geral do paciente.

Muitas vezes, a quimioterapia e a radioterapia são indicadas após a cirurgia para destruir células tumorais microscópicas que tenham restado no local ou que estejam circulando pelo sangue. A combinação de quimioterapia e radioterapia também pode ser administrada no início do tratamento para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contra-indicada. A radioterapia isolada é utilizada algumas vezes para diminuir sintomas como falta de ar e dor.

Após o tratamento cirúrgico ou adjuvante do câncer de pulmão, recomenda-se acompanhamento com exame físico e tomografia computadorizada de tórax de maneira periódica. Parar de fumar é essencial para ajudar no tratamento do câncer de pulmão e melhorar a qualidade de vida do paciente. Entretanto, parar de fumar não é fácil, e o paciente pode precisar da ajuda de profissionais especializados.

Nos casos em que a doença se encontra disseminada pelo organismo, seja logo após o diagnóstico, seja algum tempo depois do tratamento inicial, o tratamento atualmente pode ser feito com quimioterapia e com drogas alvo moleculares.

Sarcomas

O termo sarcoma envolve diferentes doenças, com causas e tratamentos distintos. O sarcoma de partes moles é uma doença que se origina de tecidos como os músculos, tendões, gordura, vasos sanguíneos, vasos linfáticos, nervos e tecidos que recobrem as articulações. Portanto, o sarcoma de partes moles pode aparecer praticamente em qualquer parte do corpo, sendo mais frequente nas pernas, abdome, braços e tronco. Também existem os sarcomas ósseos e de cartilagens, sendo os primeiros mais comuns em crianças e adultos jovens.

As células de cada tipo de sarcoma diferem entre si, de acordo com o tecido que originou o câncer. Existe um tipo particular de sarcoma que acomete principalmente pacientes com imunodeficiência, chamado de sarcoma de Kaposi. Há ainda outro tipo de sarcoma, que aparece na parede do estômago, intestino ou reto, sendo chamado de tumor estromal gastrintestinal (GIST).

Poucos fatores de risco para o aparecimento de sarcomas foram identificados. Entre eles, o mais conhecido é a presença de algumas doenças genéticas hereditárias associadas com aparecimento de sarcomas e outros tipos de tumores. Outro fator de risco considerado importante para aparecimento de sarcoma é a história de tratamento anterior com radioterapia na infância ou para os seguintes tumores: retinoblastoma, linfoma, câncer de mama ou câncer de colo de útero.

Os sarcomas são considerados tumores raros e acometem principalmente adultos em qualquer faixa etária. Não existem dados sobre a incidência de sarcomas no Brasil. Nos Estados Unidos, estima-se a ocorrência de aproximadamente 10 mil novos casos dessa doença a cada ano.

O sarcoma de partes moles costuma se manifestar como uma nodulação ou tumoração indolor. Cerca de 50% dos casos aparecem em um braço ou perna. Sarcomas que se iniciam dentro do abdome podem não causar sintomas até o seu crescimento até grandes diâmetros, quando passam a pressionar órgãos vizinhos, nervos, músculos e vasos sanguíneos.

No caso de suspeita de sarcoma, é necessária a realização de uma biópsia para retirar um fragmento para exame anátomo-patológico. O tipo de biópsia indicado geralmente depende do tamanho e da localização do tumor. Além do tumor primário, linfonodos e outras áreas suspeitas podem ser retiradas para análise microscópica.

O tratamento dos sarcomas pode envolver diferentes combinações entre as três modalidades mais utilizadas em oncologia: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A cirurgia é o tratamento mais utilizado. Casos iniciais podem ser curados com a retirada total do tumor com margem de segurança, dependendo de sua localização. No entanto, alguns casos podem necessitar de cirurgias maiores, que chegam a envolver a perda do membro acometido. Porém, cada vez mais o tratamento visa a preservar o membro e, para isso, radioterapia e quimioterapia podem ser indicadas antes e/ou após a retirada do tumor.

O tratamento administrado antes da cirurgia tem o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e diminuir a quantidade de tecido retirado na cirurgia, preservando ao máximo os tecidos normais. Quando o tratamento é dado após a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia têm a função de eliminar qualquer célula maligna remanescente que possa estar na região ou em circulação no organismo.

Além desses tratamentos, novas opções vêm sendo estudadas e envolvem o uso de novas drogas alvo moleculares, que possuem a vantagem de atacar somente as células do tumor, sem lesionar as células normais, como ocorrem com a quimioterapia e a radioterapia. Esse é o caso do GIST, sarcoma cujo tratamento foi revolucionado pela descoberta recente medicamentos bastante específicos contra essa doença.

Após o tratamento inicial, avaliações periódicas são necessárias para o seguimento do paciente. Geralmente são solicitados exames de imagem, dependendo de aparecimento de sintomas ou do estágio da doença ao diagnóstico.



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